sexta-feira, 10 jul. 2026

"Algo tem de mudar". Especialistas alertam para os riscos da exposição aos ecrãs em bebés com menos de dois anos

Mais do que retirar um telemóvel das mãos de uma criança, o desafio passa por garantir que, nos momentos de choro, frustração ou necessidade, o primeiro refúgio continua a ser o colo, a voz e a presença dos pais.
"Algo tem de mudar". Especialistas alertam para os riscos da exposição aos ecrãs em bebés com menos de dois anos

O uso de ecrãs é um dilema recente dos pais desta geração: quando permitir, quanto tempo disponibilizar, que malefícios pode ter?

Muitas vezes, a tentação é utilizar os ecrãs como distração para as “birras” normais das crianças. No entanto, uma coisa é agora certa: o uso regular de ecrãs em bebés com menos de dois anos deve ser evitado ao máximo. 

Um estudo desenvolvido por quatro universidades britânicas concluiu que o impacto se verifica no desenvolvimento, na saúde e na qualidade de vida no futuro.

O professor da Universidade de Leeds e coautor do estudo, Rafe Clayton, sublinha que os pais, “sem se aperceberem, acabam por ensinar os filhos a desenvolver hábitos pouco saudáveis com os dispositivos eletrónicos”. Citado pelo The Guardian, Clayton apela: “Algo tem de mudar”.

Os riscos são claros: 

A atenção virada para os ecrãs impede a interação com os pais e com o mundo à sua volta, o que não só pode enfraquecer a relação com os progenitores, mas também dificultar as técnicas sociais que os bebés devem criar nesta fase da sua vida.

Os ecrãs impedem ainda o tempo de brincadeira que as crianças devem ter e que beneficia o seu desenvolvimento a todos os níveis, sobretudo cognitivo.

Os adultos ouvem várias vezes que o uso de ecrãs, sobretudo à noite, cria problemas no sono, sobre-estimulação, problemas de visão e maior risco de obesidade - nas crianças, os riscos são precisamente os mesmos. 

No entanto, o estudo é claro: não há nenhum fator que indique os ecrãs como o fator totalmente responsável por estes problemas. De qualquer forma, melhor prevenir do que remediar: a recomendação é afastar crianças com menos de dois anos dos ecrãs. Se os malefícios não são comprovados, os benefícios também não.

Nos primeiros anos de vida, os bebés não procuram apenas entretenimento: procuram segurança, conforto e ligação emocional. Quando um ecrã passa a ocupar esse lugar, perde-se uma oportunidade fundamental de fortalecer o vínculo com os pais e de desenvolver competências essenciais para o futuro.

Mais do que retirar um telemóvel das mãos de uma criança, o desafio passa por garantir que, nos momentos de choro, frustração ou necessidade, o primeiro refúgio continua a ser o colo, a voz e a presença dos pais.