sexta-feira, 13 mar. 2026

Afinal, o que é o fenómeno do “rio atmosférico” que mantém o país em alerta?

O fenómeno meteorológico que alimenta a precipitação persistente continua a influenciar o tempo em Portugal. O IPMA alargou alertas e a Proteção Civil pede atenção redobrada para possíveis inundações nos próximos dias.

Portugal continua esta terça-feira sob a influência de um rio atmosférico, um fenómeno meteorológico cada vez mais citado nos avisos oficiais e que ajuda a explicar a persistência da chuva intensa registada em várias regiões do país. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mantém avisos ativos e a Proteção Civil alerta para riscos acrescidos, sobretudo em zonas já afetadas por precipitação acumulada.

O que é, afinal, um rio atmosférico?

Apesar do nome, não se trata de um rio visível. Um rio atmosférico é uma faixa estreita da atmosfera carregada de vapor de água, que funciona como uma verdadeira “autoestrada de humidade” entre regiões tropicais e latitudes médias.
Quando esta massa de ar húmido encontra sistemas de baixa pressão ou ar mais frio, a humidade transforma-se em chuva persistente e, por vezes, intensa.

Curiosidades sobre o fenómeno

  • Um único rio atmosférico pode transportar mais água do que o rio Amazonas

  • É responsável por grande parte dos episódios de chuva extrema na Europa Ocidental

  • Pode manter-se ativo durante vários dias, agravando riscos quando os solos estão saturados

  • A ciência associa o aumento da sua intensidade às alterações climáticas

O que está a acontecer em Portugal

De acordo com o IPMA, o país permanece sob influência de sistemas frontais associados a este rio atmosférico, com precipitação contínua, por vezes forte, e períodos de agravamento.
A Proteção Civil alerta que a chuva acumulada eleva o risco de cheias, inundações urbanas, deslizamentos de terras e quedas de árvores, mesmo em momentos em que a intensidade da precipitação diminui temporariamente.

As autoridades admitem que a situação pode prolongar-se nas próximas horas e dias, dependendo da evolução meteorológica no Atlântico.

Recomendações oficiais à população

A Proteção Civil deixa vários apelos, sobretudo para quem vive ou circula em zonas mais vulneráveis:

  • Evitar atravessar zonas inundadas, a pé ou de viatura

  • Manter distância de linhas de água, ribeiras e zonas ribeirinhas

  • Garantir a limpeza de sarjetas, valetas e sistemas de drenagem

  • Evitar estacionamento ou circulação junto a encostas instáveis

  • Acompanhar regularmente os avisos do IPMA e da Proteção Civil

As autoridades reforçam que a combinação entre chuva persistente e solos saturados pode provocar ocorrências súbitas, exigindo especial atenção e prudência.

Zonas mais críticas sob influência do mau tempo

Segundo alertas do IPMA e da Proteção Civil, a chuva persistente associada ao rio atmosférico representa maior risco em:

  • Regiões do Norte e Centro, devido à precipitação acumulada nos últimos dias

  • Áreas ribeirinhas e zonas próximas de linhas de água, com risco de cheias rápidas

  • Áreas urbanas densas, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, onde podem ocorrer inundações por deficiente drenagem

  • Zonas de encosta e taludes, mais suscetíveis a deslizamentos de terras

  • Regiões costeiras expostas, onde a chuva pode ser acompanhada por vento forte e agitação marítima

As autoridades sublinham que o risco pode variar ao longo do dia e reforçam a importância de acompanhar os avisos oficiais, sobretudo em deslocações.