terça-feira, 16 jun. 2026

Aeroportos europeus enfrentam filas até 3,5 horas nos controlos fronteiriços e antecipam verão “particularmente difícil”

Os aeroportos europeus estão a registar esperas até 3,5 horas nos controlos fronteiriços devido à falta de pessoal e falhas no novo sistema europeu EES. Lisboa, Porto e Faro enfrentam longas filas numa altura de forte pressão turística
Aeroportos europeus enfrentam filas até 3,5 horas nos controlos fronteiriços e antecipam verão “particularmente difícil”

Os aeroportos europeus estão a enfrentar tempos de espera até 3,5 horas nos controlos fronteiriços durante os períodos de maior afluência e antecipam um verão “particularmente difícil”.

Segundo a associação dos aeroportos europeus - ACI Europe, os atrasos agravaram-se significativamente nas últimas semanas. Num anterior inquérito realizado em abril junto dos aeroportos associados, os tempos máximos de espera rondavam as duas horas.

A nova consulta, realizada junto de 45 aeroportos de 20 Estados-membros da União Europeia, concluiu que a situação é agora “preocupante”, com vários aeroportos que anteriormente não registavam tempos excessivos a ultrapassarem atualmente mais de uma hora de espera nos controlos fronteiriços.

“A julgar por todos os sinais, será um verão particularmente difícil”, alertou a associação europeia à agência Lusa, apontando para um cenário de forte pressão sobre os fluxos de passageiros nos próximos meses.

Segundo a ACI Europe, os atrasos verificam-se tanto nas chegadas como nas partidas, apesar de vários Estados-membros terem recorrido à suspensão parcial do Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia, o novo mecanismo europeu de controlo fronteiriço que entrou em vigor em outubro de 2025.

O sistema EES substituiu os tradicionais carimbos nos passaportes por registos digitais automáticos para cidadãos de países terceiros que entram e saem do espaço europeu.

Entre as principais causas do congestionamento, a associação destaca a falta de efetivos nos controlos fronteiriços, falhas técnicas recorrentes no sistema informático central do EES e problemas nas interfaces nacionais utilizadas pelos diferentes Estados-membros.

A ACI Europe aponta ainda limitações operacionais nos quiosques de autoatendimento, dificuldades na utilização eficaz das portas automáticas de controlo fronteiriço e uma implementação ainda limitada da aplicação móvel do sistema europeu.

O alerta surge numa altura em que se multiplicam as queixas de passageiros devido às longas filas registadas nos aeroportos de Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa), Aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto) e Aeroporto de Faro.

Na terça-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu a possibilidade de suspender temporariamente o novo sistema nas “horas críticas”, de forma a evitar impactos negativos na economia portuguesa e no turismo.

Também esta quarta-feira, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, reconheceu que alguns Estados-membros enfrentam dificuldades na implementação do sistema.

A responsável europeia garantiu que Bruxelas está disponível para apoiar Portugal no processo de adaptação ao EES, lembrando que a nova legislação entrou em vigor “muito recentemente”.

Apesar disso, há precisamente uma semana, a Comissão Europeia rejeitou a ideia de que as longas filas nos aeroportos portugueses resultem diretamente do novo sistema, sublinhando que cada registo demora, em média, pouco mais de um minuto a ser processado.