Advogado diz que jovem acusado de massacres em escolas no Brasil não é "um monstro"

O advogado do jovem acusado de ter instigado massacres em escolas, maus-tratos a animais de companhia, pornografia de menores e incitamento ao ódio, à violência e ao suicídio, afirma que o seu cliente não é um monstro e "tem as virtudes e defeitos próprios da sua idade."
Advogado diz que jovem acusado de massacres em escolas no Brasil não é "um monstro"

Em declarações aos jornalistas à saída do Tribunal de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, o advogado, Carlos Duarte, afirma que a estratégia da defesa passa por demonstrar que o arguido "não é um monstro que vem retratado, pelo menos na acusação", e tem as virtudes e defeitos próprios da sua idade.

"Quem tem filhos sabe perfeitamente que é muito fácil criticarmos e apelidarmos de monstro, de que os nossos filhos nunca fariam isto, com a educação certa nunca fariam isto. O que eu vos posso garantir é que a família prestou os melhores cuidados ao Miguel e que em termos educacionais nada tem a apontar", disse.

A defesa do jovem nega ainda o papel de liderança que lhe é atribuído pela investigação.

"É certo que estamos convictos que iremos demonstrar que o Miguel nunca liderou nenhum movimento, nunca liderou nenhum grupo, fez parte de algum grupo, mas efetivamente nunca liderou esse grupo", afirma Carlos Duarte.

A audiência de julgamento está a decorrer à porta fechada, sem a presença de público e da comunicação social, por estarem em causa crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual.

Durante a primeira sessão, o arguido optou por não prestar declarações perante o Tribunal, tendo sido ouvidas as declarações prestadas pelo mesmo no primeiro interrogatório judicial, quando foi detido em maio de 2024.

A sessão foi interrompida pouco antes das 13:00 e será retomada no dia 26 de manhã, com a audição de três inspetores da Polícia Judiciária, estando marcada para a tarde a audição de testemunhas do Brasil.