quarta-feira, 15 jul. 2026

Adolescentes portugueses estão entre os que passam mais tempo em frente aos ecrãs na União Europeia

Os adolescentes portugueses passam, em média, 6,7 horas por dia em frente a ecrãs ao fim de semana, um dos valores mais elevados da União Europeia. Um novo Eurobarómetro revela também que mais de 60% dos pais consideram que os ecrãs têm um impacto negativo na vida dos jovens
Adolescentes portugueses estão entre os que passam mais tempo em frente aos ecrãs na União Europeia

Os adolescentes portugueses estão entre os jovens da União Europeia que mais tempo passam em frente a ecrãs durante o fim de semana, segundo um Eurobarómetro divulgado esta terça-feira. Os dados mostram que os jovens entre os 13 e os 18 anos utilizam, em média, telemóveis, computadores, tablets, televisões ou consolas durante 6,7 horas por dia ao sábado e domingo.

O valor coloca Portugal no quarto lugar entre os 27 Estados-membros, a par de países como França, Espanha, Roménia e Letónia. Apenas os adolescentes da Suécia (7,3 horas), Chéquia (7 horas) e Polónia (6,8 horas) passam mais tempo ligados a ecrãs ao fim de semana.

A média da União Europeia situa-se nas 6,1 horas diárias, enquanto Chipre surge como o país onde os jovens utilizam menos dispositivos eletrónicos, com uma média de 4,3 horas.

Pais mais preocupados do que os filhos

O estudo evidencia uma diferença significativa entre a perceção dos pais e a dos próprios adolescentes relativamente ao impacto dos ecrãs.

Quando questionados sobre o tempo que os filhos passam online, 40% dos pais portugueses consideram-no "demasiado elevado", enquanto 37% entendem que é adequado. Apenas 16% acreditam que os jovens passam pouco tempo em frente aos ecrãs.

Já sobre os efeitos da utilização destes dispositivos, 62% dos pais portugueses consideram que têm um impacto negativo na vida dos adolescentes. Trata-se da segunda percentagem mais elevada da União Europeia, apenas atrás da Grécia, onde 66% dos pais partilham a mesma opinião.

Em contraste, apenas 34% dos adolescentes portugueses consideram que os ecrãs têm efeitos negativos. Outros 34% entendem que não têm impacto nem positivo nem negativo, enquanto 31% acreditam que os efeitos são maioritariamente positivos.

Cansaço, dores de cabeça e dificuldades de concentração

Apesar da visão mais favorável dos jovens, os dados revelam sinais de desgaste associados à utilização intensiva de dispositivos digitais.

Mais de quatro em cada dez adolescentes portugueses (41%) admitem ter-se sentido cansados ou sobrecarregados nos últimos 30 dias. Além disso, 38% referem dificuldades de concentração, 36% relatam dores de cabeça e 33% queixam-se de fadiga ocular.

A nível europeu, a média de utilização de ecrãs é de 4,5 horas por dia durante a semana e de 6,1 horas ao fim de semana. Cerca de 14% dos adolescentes da União Europeia afirmam passar mais de 10 horas por dia em frente a ecrãs.

Conteúdos impróprios lideram preocupações

A principal preocupação dos pais portugueses está relacionada com a exposição dos filhos a conteúdos considerados inadequados ou prejudiciais. Cerca de 79% manifestam receio quanto a essa possibilidade.

O contacto com desconhecidos através da internet surge como a segunda maior preocupação, referida por 72% dos pais, seguindo-se os efeitos negativos que a utilização excessiva de ecrãs pode ter na qualidade do sono, apontados por 64%.

Questionados sobre as medidas que consideram mais eficazes para proteger os menores online, 57% dos pais defendem a imposição de limites de idade ou restrições de acesso, 54% pedem uma aplicação mais rigorosa das regras existentes e 46% consideram importante reforçar as campanhas de sensibilização dirigidas aos jovens.

Os adolescentes mostram-se ligeiramente menos favoráveis a estas medidas, embora quase metade apoie restrições de idade (49%) e uma melhor fiscalização das regras (47%).

Jovens portugueses divididos sobre proibição das redes sociais

O Eurobarómetro analisou ainda a opinião dos adolescentes sobre uma eventual proibição do acesso às redes sociais para menores, à semelhança das medidas já implementadas na Austrália.

Os jovens portugueses estão entre os mais céticos da União Europeia. Apenas 41% acreditam que uma medida desse tipo teria um efeito positivo na saúde mental dos adolescentes. Outros 38% consideram que não teria qualquer impacto relevante e 20% mostram-se abertamente contra.

Os dados são divulgados no mesmo dia em que decorre a última reunião do painel europeu sobre segurança digital infantil, criado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para avaliar novas medidas de proteção de menores na internet, incluindo possíveis restrições ao acesso às redes sociais.

O Eurobarómetro baseia-se em mais de 26 mil entrevistas realizadas a adolescentes e quase 13 mil pais em toda a União Europeia entre 30 de março e 16 de abril. Em Portugal participaram mil jovens e 500 pais.