segunda-feira, 13 abr. 2026

Acidente aparatoso no Cais do Sodré: Laplaine Guimarães estava lá

Secretário-geral da Câmara de Lisboa surge em fotos do acidente. Câmara e autoridades não querem fazer confirmação oficial
Acidente aparatoso no Cais do Sodré: Laplaine Guimarães estava lá

O acidente deu-se há três meses perto do Cais do Sodré, em Lisboa. Numa curva da Calçada do Ferragial, um Volkswagen preto embate num Fiat branco que segue à sua frente, identificado como TVDE. Ambos se despistam.

O Fiat consegue imobilizar-se junto ao gradeamento da Calçada do Ferragial. Mas o Volkswagen vai embalado e rebenta o gradeamento. Fica dependurado a apontar para a Travessa do Cotovelo lá em baixo.

O impacto desprende pedras da calçada, que caem sobre a esplanada do restaurante Clube do Bacalhau, na Travessa do Cotovelo, e desfazem mesas e refeições já servidas. Pelo menos duas pessoas ficam feridas: um homem de 41 anos e uma mulher de 42.

Chamado o INEM, as duas vítimas são levadas para o hospital de São José, segundo uma testemunha que ali se encontrava no momento do acidente, embora notícias então publicadas refiram São Francisco Xavier.

Este acidente aparatoso ocorreu perto das seis da tarde de 26 de dezembro e foi amplamente noticiado, mas nunca ficou totalmente esclarecido. Até hoje não foi revelada a identidade dos proprietários dos veículos nem dos condutores envolvidos –­ e nem se sabe se algum deles estaria eventualmente alcoolizado. Mas desde aquele dia corre a versão de que a bordo do carro preto seguia Laplaine Guimarães, secretário-geral da Câmara de Lisboa, agora suspenso de funções por suspeitas de corrupção.

A atenção mediática em torno do caso judicial que envolve Laplaine Guimarães fez ressuscitar o episódio da Calçada do Ferragial. Fontes autárquicas garantiram agora ao SOL que Laplaine seguia a bordo do Volkswagen, que era aliás o carro de serviço que lhe estava atribuído pela Câmara.

De resto, fotos captadas pouco depois do acidente mostram Laplaine Guimarães junto ao carro preto que terá sido responsável pela colisão. As imagens foram publicadas pelo Observador em 26 de dezembro, sem referência às pessoas retratadas.

Ninguém quer confirmar

Apesar de insistentes pedidos do SOL ao longo dos últimos dias, a Câmara de Lisboa não confirmou quem seguia a bordo ou se o veículo em questão é propriedade ou estava ao serviço da autarquia naquela ocasião. Também não explicou se o município incorreu em responsabilidade civil ou criminal por causa do sucedido.

Segundo notícias então publicadas, o alerta foi dado pelas 17h51 e ao local acorreram a Polícia Municipal, a PSP e os Sapadores de Lisboa, estes com 11 elementos apoiados por duas viaturas.

O Regimento de Sapadores Bombeiros, que é tutelado pela Câmara de Lisboa, disse-nos agora que «esta situação é resolvida pela PSP». A PSP, apesar de uma consulta junto da Divisão Policial competente, até à hora de fecho desta edição não tinha adiantado pormenores. O mesmo da parte da Procuradoria-Geral da República, que não forneceu em tempo útil esclarecimentos sobre se corre termos algum inquérito relacionado com o acidente. Raul Soares da Veiga, advogado de Laplaine Guimarães, manteve-se incontactável.

Laplaine Guimarães, de 66 anos, tem estado sob os holofotes desde que foi detido no âmbito da Operação Lúmen, da Polícia Judiciária. Na terça-feira, 24, o Tribunal de Instrução Criminal do Porto considerou-o «fortemente indiciado da prática de um crime de corrupção passiva» por suposto envolvimento em subornos para colocação de luzes de Natal em Lisboa desde 2022.

Foi-lhe decretada «suspensão imediata do exercício das funções» como secretário-geral da Câmara de Lisboa, entre outras medidas de coação não restritivas da liberdade.

Era secretário-geral da Câmara desde 2011, quando António Costa o nomeou «em regime de comissão de serviço pelo período de três anos», como se lê num aviso de 8 de julho de 2011 em Diário da República. Sucessivos presidentes mantiveram-no no cargo.