Relacionados
A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) já definiu orientações internas para situações que envolvem pessoas que se identificam como animais, caso estas procurem atendimento em clínicas veterinárias.
Conhecidos como “therians”, termo associado a pessoas que afirmam ter uma ligação espiritual ou psicológica profunda com determinados animais, estes casos ganharam visibilidade nos últimos meses através de conteúdos partilhados nas redes sociais. Estas pessoas adotam comportamentos como ladrar, miar e andar de quatro apoios e identificam-se com mamíferos, sendo os mais comuns cães, gatos e raposas.
Segundo a OMV, as recomendações foram criadas como forma de preparar os profissionais para eventuais situações futuras, apesar de não existirem, até ao momento, registos confirmados deste tipo de pedidos em Portugal.
As orientações esclarecem que os médicos veterinários não podem realizar diagnósticos, tratamentos ou qualquer ato clínico em pessoas, independentemente da forma como estas se identificam.
A entidade sublinha ainda que, perante uma situação deste género, os profissionais devem agir de forma respeitosa e pedagógica, explicando os limites legais da profissão e encaminhando a pessoa para acompanhamento médico adequado, caso necessário.
“A pessoa que se identifica como animal continua, para o Direito, a ser uma pessoa humana”, defende a Ordem, citada pelo Correio da Manhã.
Em fevereiro, Vila Real contou com um encontro marcado para "um momento de união, respeito e partilha entre quem realmente vive o estilo de vida therian", contudo a OMV garantiu que não conhece casos concretos em Portugal.
O fenómeno dos “therians” tem sido acompanhado com atenção por especialistas em saúde mental e comportamento social, sobretudo devido ao crescimento da sua exposição online, particularmente entre adolescentes e jovens adultos.