terça-feira, 09 jun. 2026

"A Kristin tem culpados". Climáximo corta trânsito no Areeiro e acusa indústria fóssil pela devastação do comboio de tempestades que afetou o país

Protesto bloqueou a Avenida Gago Coutinho durante meia hora. Movimento fala em “crimes contra a humanidade” e denuncia falta de apoio às vítimas mais de 100 dias após a passagem da depressão Kristin.
"A Kristin tem culpados". Climáximo corta trânsito no Areeiro e acusa indústria fóssil pela devastação do comboio de tempestades que afetou o país

Mais de uma centena de dias após a passagem da tempestade Kristin, apoiantes do movimento ambientalista Climáximo bloquearam, esta terça-feira de manhã, a Avenida Almirante Gago Coutinho, junto à Rotunda do Areeiro, em Lisboa, numa ação de protesto contra a indústria dos combustíveis fósseis e aquilo que consideram ser a inação do Governo perante a crise climática.

A ação arrancou pelas 8h00 e provocou constrangimentos no trânsito durante cerca de 30 minutos. Os manifestantes exibiram uma faixa com a imagem da autoestrada A1 destruída pelo chamado “comboio de tempestades” que atingiu Portugal no início do ano, além de cartazes com mensagens como “A Kristin tem culpados”, “22 mortes” e “mais de 240 mil casas atingidas”.

Segundo o coletivo, o protesto pretendeu recordar os impactos da tempestade, que alegadamente provocou dezenas de mortos, milhares de desalojados e danos significativos em habitações, escolas e infraestruturas em várias zonas do país.

Matilde Alvim, administrativa e participante na ação, afirmou que “não podemos esquecer a Kristin, as famílias e comunidades afetadas”, defendendo que fenómenos extremos como este poderão tornar-se mais frequentes e severos. A ativista acusou ainda as petrolíferas e empresas ligadas aos combustíveis fósseis de alimentarem uma crise climática que, diz, “está a levar-nos para o inferno”.

No comunicado divulgado após o protesto, o movimento refere que ainda existem milhares de pessoas afetadas pela tempestade, apontando para cabos provisórios no chão, acessos bloqueados e famílias sem serviços fixos de comunicações. O Climáximo critica também aquilo que considera ser a insuficiência dos apoios públicos e acusa as seguradoras de não estarem a responder adequadamente aos prejuízos sofridos pelas populações.

Outro dos participantes na ação, Sinan Eden, doutorado em matemática, alertou para o risco acrescido de incêndios nas zonas afetadas pela tempestade, considerando que o Governo não tomou medidas suficientes de prevenção antes do verão.

O coletivo anunciou ainda uma assembleia popular marcada para 15 de maio, às 19h00, em frente à sede do Governo. A iniciativa integra a concentração “Luta pelo Futuro”, que contará também com momentos musicais e uma bicicletada de solidariedade com a Palestina.