“A igualdade é uma ameaça aos homens”: dois em cada dez jovens defendem violência contra o feminismo

"Se uma mulher desobedecer em casa, um homem deveria poder controlá-la com violência", são exemplos de resposta ao inquérito.
“A igualdade é uma ameaça aos homens”: dois em cada dez jovens defendem violência contra o feminismo

As conclusões surgem de um estudo australiano divulgado pelo jornal Público, que usou um inquérito a vários adolescentes e jovens adultos para perceber como a misoginia (o ódio às mulheres) está a aumentar práticas extremistas de violência e agressão contra o sexo feminino.

O inquérito foi construído pela Universidade de Melbourne, na Austrália e realizado junto de mais de 2300 adultos e 1100 jovens, com idades entre os 13 e os 17 anos. A conclusão mais intrigante das divulgadas no início de março, a propósito do Dia da Mulher, revela que cerca de 40% dos inquiridos considera que as mulheres mentem quando denunciam casos de violência doméstica e sexual.

Além disso, dois em cada dez jovens acha que o feminismo "deve ser combatido com violência", além de perto dos 30% concordarem com extremismo violento.

Um dos dados mais preocupantes, de acordo com a universidade, refere que um terço das pessoas inquiridas praticam atitudes misóginas e um quarto dos rapazes (28%) admite estas práticas como "plausíveis". No entanto, a percentagem de raparigas alinhadas com os 28% rapazes não fica muito longe: são 21% as que concordam.

Entre respostas mais extensas, a Universidade de Melbourne revelou ainda que há quem alegue que "o feminismo foi longe demais" e que os homens estão a ser "discriminados". Referem ainda que a igualdade é uma "ameaça ao sexo masculino".

A Universidade de Melbourne emitiu uma nota após a divulgação dos resultados, apontando ainda duas formas de violência descritas entre os jovens para "lidar com as mulheres". "Se uma mulher desobedecer em casa, um homem deveria poder controlá-la com violência" ou "devíamos limitar os direitos reprodutivos das mulheres", são exemplos e resposta dos inquiridos.

A nota da universidade alerta para a crescente disseminação deste discurso, nomeadamente junto de influenciadores com público mais jovem. Apelam ainda a que se utilizem "recursos educativos" que sublinhem a importância da luta pela igualdade de género juntos dos mais novos.