Uma mensagem de Inês Pedrosa publicada na rede social X no dia da morte de António Lobo Antunes, e que até ao momento teve mais de cinco mil visualizações, alega que o escritor a prejudicou profissionalmente por ela se ter recusado a fazer-lhe um «favorzito».
A mensagem surgiu em resposta a uma publicação do professor e escritor Rui Zink intitulada simplesmente «António Lobo Antunes», em que este recordava a proximidade ao autor de ‘Memória de Elefante’: «O António era meu vizinho, íamos almoçar ao mesmo sítio, e dizia-me que, além dele, eu era o único escritor vivo ou morto de jeito. Vou ter saudades dele, sobretudo porque lhe devia ter pedido para deixar isso por escrito, pois agora ninguém vai acreditar».
Em resposta a Rui Zink, na quinta-feira, dia 5, às 19h54, a escritora e jornalista Inês Pedrosa deixou uma misteriosa alegação, que se presta a diversas interpretações: «A mim disse-me que poderia tornar-me uma grande escritora se lhe fizesse um favorzito, que não me apeteceu fazer-lhe». E acrescentou ainda, continuando a referir-se a Lobo Antunes: «E depois fez o favor de proibir Christian Bourgois, o seu editor francês, de publicar um meu livrito que ele já tinha comprado e traduzido».
A terminar o seu comentário, acrescentou presumivelmente em tom sarcástico: «Era uma grande alma».
Utilizadores daquela rede social, alguns anonimamente, responderam ao «post» de Inês Pedrosa, ora reforçando, ora criticando o que ela escreveu.
Já não é a primeira vez que Inês Pedrosa se refere publicamente a Lobo Antunes de maneira contundente. Numa crónica sobre mulheres e feminismo, publicada no Expresso em 2008, a escritora também deixou uma misteriosa afirmação explicitamente dirigida a Lobo Antunes: «Desde menina aprendi a afastar-me de ti para poder continuar a ter admiração por ti e a ler os teus livros».