Cinquenta e sete pessoas morreram afogadas em Portugal nos primeiros cinco meses de 2026, segundo os dados provisórios do Observatório do Afogamento da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS). O número mantém-se praticamente ao nível do pior período homólogo desde que existem registos, com a maioria das vítimas a perder a vida em rios e outros locais sem assistência a banhistas.
De acordo com a FEPONS, o balanço provisório até 31 de maio revela que o número de mortes por afogamento é "praticamente idêntico ao registado no mesmo período de 2024 (58 mortes), que constituiu o pior período homólogo desde o início da série histórica do Observatório do Afogamento, em 2017".
A Federação alerta para uma tendência preocupante e defende uma resposta nacional coordenada para reduzir o número de vítimas.
Rios concentram quase metade das mortes registadas
O relatório divulgado pelo Observatório do Afogamento analisa, em detalhe, os dados entre 1 de janeiro e 31 de março, período em que foram contabilizadas 36 mortes no meio aquático, o valor mais elevado desde o início da recolha histórica de dados.
Segundo a FEPONS, estes números representam um aumento de 28,6% face ao mesmo período do ano anterior.
Os rios foram o cenário com maior número de vítimas, com 17 mortes registadas, o equivalente a 47,2% do total. Seguem-se o mar, com sete vítimas (19,4%), as estradas inundadas, com quatro mortes (11,1%), os poços e barragens, ambos com três vítimas (8,3%), e ainda portos de abrigo e piscinas domésticas, com uma morte cada (2,8%).
Homens jovens são as principais vítimas
A maioria das pessoas que morreram por afogamento no primeiro trimestre eram homens, representando 69,4% das vítimas.
A faixa etária mais afetada situou-se entre os 20 e os 24 anos.
A Federação destaca ainda que todas as ocorrências registadas aconteceram em locais sem assistência a banhistas, reforçando a importância da prevenção e da avaliação dos riscos associados a diferentes ambientes aquáticos.
FEPONS quer medidas para travar aumento das mortes
Perante os números divulgados, a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores anunciou que vai solicitar reuniões com entidades governamentais para apresentar propostas destinadas a reduzir os afogamentos no país.
"Os dados demonstram que o afogamento continua a ser um problema de segurança pública que exige uma resposta nacional coordenada e baseada na prevenção", afirmou a FEPONS.
Entre as medidas defendidas estão o reforço da educação para o risco aquático, a criação de estratégias específicas para rios, barragens e outras águas interiores, a revisão das regras relativas à assistência a banhistas e a implementação de mecanismos que permitam captar e manter mais nadadores-salvadores.
A Federação alerta também para a necessidade de apostar em sistemas de avaliação de risco e prevenção, sobretudo antes do aumento da procura pelas zonas balneares durante os meses de verão.
Época balnear já arrancou com centenas de águas identificadas
O Observatório do Afogamento, criado pela FEPONS, contabiliza as mortes por afogamento em Portugal através da recolha de informação publicada em notícias e outros registos disponíveis.
A época balnear de 2026 decorre oficialmente entre 15 de abril e 31 de outubro, com 673 águas balneares identificadas em todo o território nacional.
A praia de Porto Moniz, na Madeira, foi a primeira do país a iniciar a temporada, a 15 de abril.