terça-feira, 21 jul. 2026

30 anos de escravidão: vítima estava tão isolada que desconhecia quem era o atual Presidente da República

Os homens estão agora numa instituição que acolhe vítimas de tráfico humano em Portugal.
30 anos de escravidão: vítima estava tão isolada que desconhecia quem era o atual Presidente da República

Uma rede de tráfico humano que operou durante décadas entre Portugal e Espanha foi desmantelada, numa operação conjunta da Polícia Judiciária e da Guarda Civil. As duas vítimas resgatadas viviam há vários anos sob o controlo do grupo: não conheciam quem era o novo presidente da República.

A informação avançada pelo Correio da Manhã identifica uma das vítimas como um homem de 63 anos. Foi escravizado durante três décadas, após, numa situação de vulnerabilidade social na zona de Coimbra, ter aceitado uma proposta de trabalho remunerado em Espanha.

A vítima vivia num anexo trancado com um cadeado, que pertencia à casa dos traficantes.

O homem era privado não só da sua liberdade, mas também de cuidados médicos e alimentação equilibrada. Além disso, era proibido ter acesso a informação exterior: daí não ter conhecimento, por exemplo, das eleições portuguesas.

Durante 30 anos, o homem trabalhou todos os dias do ano, sem folgas, em terrenos agrícolas. Todo o dinheiro que este tinha arrecadado ficou para os traficantes - tinha apenas 40 euros na conta bancária no momento do resgate.

A outra vítima é identificada como um homem de 53 anos, que esteve em cativeiro 15 anos.

Ambos estão agora numa instituição que acolhe vítimas de tráfico humano em Portugal.

Em comunicado, a Polícia Judiciária informa que cinco pessoas foram detidas no âmbito da operação "Mãos Livres". Os cinco integravam um grupo de cariz familiar que, há vários anos, recrutava em Portugal pessoas em situação de especial vulnerabilidade, marcadas por dificuldades económicas e processos de exclusão social.

Segundo a PJ, as vítimas eram inscritas na Segurança Social espanhola para permitir a celebração de contratos de trabalho, sendo posteriormente utilizados os respetivos benefícios sociais pelos suspeitos.

As vítimas também eram utilizadas para abrir contas bancárias e registar veículos automóveis em seu nome, estratégia que, segundo a investigação, dificultava a atuação das autoridades.