quinta-feira, 14 mai. 2026

26 estradas ainda cortadas por efeito do comboio de tempestades

As tempestades — incluindo as depressões Kristin, Leonardo e Marta — provocaram pelo menos 19 mortos em Portugal entre o final de janeiro e início de março, além de prejuízos de milhares de milhões de euros

A Infraestruturas de Portugal (IP) contabiliza atualmente 26 estradas ainda com circulação encerrada em Portugal, na sequência das tempestades que atingiram o país no início do ano, tendo já sido resolvidos cerca de 92% dos mais de 300 cortes registados.

A informação foi avançada pelo presidente da empresa, Miguel Cruz, durante uma reunião do Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, esta terça-feira, em Arganil.

Entre os distritos mais afetados está Lisboa, com dez cortes em várias estradas nacionais, incluindo nos concelhos do Cadaval, Mafra, Lourinhã e Alenquer. Seguem-se Coimbra, com várias vias condicionadas, e ainda distritos como Viseu, Setúbal e Santarém.

Segundo a IP, a maioria das situações resulta de instabilidade das plataformas rodoviárias e deslizamento de taludes, exigindo intervenções complexas como estabilização de encostas, reforço de drenagens e reconstrução parcial de infraestruturas.

Miguel Cruz alertou que grande parte das obras poderá demorar pelo menos seis meses, admitindo dificuldades na capacidade de resposta, nomeadamente ao nível dos projetistas. “Os projetos estão a demorar mais do que gostaríamos”, reconheceu.

Apesar dos constrangimentos, a empresa pública realizou já cerca de 1.300 inspeções extraordinárias a pontes e outras estruturas, não tendo identificado problemas estruturais significativos. Algumas avaliações continuam pendentes devido à falta de mergulhadores para trabalhos subaquáticos.

O responsável alertou ainda para o impacto crescente dos fenómenos climáticos extremos, defendendo a necessidade de acelerar intervenções para garantir maior resiliência da rede rodoviária até ao final de 2026.

As tempestades — incluindo as depressões Kristin, Leonardo e Marta — provocaram pelo menos 19 mortos em Portugal entre o final de janeiro e início de março, além de prejuízos de milhares de milhões de euros.

Linhas ferroviárias ainda condicionadas

No setor ferroviário, a Infraestruturas de Portugal indica que persistem dois troços encerrados: na Linha do Oeste e na Linha da Beira Baixa.

No caso da Linha da Beira Baixa, os danos resultam de deslizamentos de taludes junto ao rio, sendo a intervenção considerada tecnicamente complexa. A conclusão dos trabalhos está prevista entre agosto e setembro.

Já na Linha do Oeste, foram registadas cerca de 20 ocorrências de cedência de taludes ao longo de 20 quilómetros, com diferentes níveis de gravidade. A expectativa é que a circulação seja totalmente reposta até ao final do ano.

A empresa garante estar a acelerar os projetos e intervenções para minimizar impactos e evitar novas perturbações em futuros episódios de mau tempo.