quinta-feira, 14 mai. 2026

Ventura reitera que havia mais presos políticos depois do que antes do 25 de Abril. Pacheco Pereira considera comparação "absurda"

As regras do debate incluiam a obrigatoriedade de fundamentar todas as afirmações com documentos, factos ou provas concretas
Ventura reitera que havia mais presos políticos depois do que antes do 25 de Abril. Pacheco Pereira considera comparação "absurda"

O debate entre José Pacheco Pereira e André Ventura que se realizou esta segunda-feira na CNN Portugal começou com o presidente do Chega a reiterar que havia mais presos políticos depois do 25 de abril do que antes.

"No dia antes da revolução havia menos presos políticos do que havia depois da revolução", disse Ventura, acrescentando que a sua intervenção no Parlamento servia para "acabar" com a teoria de que foi "tudo mau antes e tudo bom depois".

Pacheco Pereira contrapôs que quando o exército português foi atacado pelos habitantes das colónias, nessa altura eram considerados portugueses, daí a dimensão de presos políticos.

"Há comparações que são elas próprios erradas e uma [delas] é falar do que aconteceu naquilo que entre 74 e 76 e o que aconteceu nos outros 50 anos antes", afirmou Pacheco Pereira.

"Houve de facto violência", admitiu o historiador, referindo-se a presos políticos portugueses. Contudo, notou, a maioria dessas pessoas foi libertada meses depois, e a maioria nem nunca passou pela cadeia.

Com interrupções constantes e dificuldade em esgrimir argumentos, o debate prosseguiu com Ventura a afirmar que não pode aceitar o "desequilíbrio" do "nosso regime" que continua a dizer que "antes do 25 de Abril foi tudo mau, e depois do 25 de Abril foi tudo bom".

Pacheco respondeu: "A tortura que aconteceu depois do 25 de Abril foram casos isolados. É dúplice. Antes tivemos entre 30 mil e 40 mil presos políticos".

O historiador afirmou então que o argumento de Ventura justifica o regime anterior ao comparar o antes e o pós do 25 de Abril e "essa comparação coloca-o do lado do antes do 25 de Abril" acrescentando que o com o seu discurso Ventura diz que "a ditadura é igual à democracia".

Sobre o tema da descolonização Ventura disse que Portugal "traiu" os portugueses das colónias, o exército português e os ex-combatentes, afirmando que a forma como aconteceu foi uma "tragédia".

Pacheco Pereira recordou que a "grande responsabilidade" do que aconteceu em África foi de "Salazar e Marcello Caeatano" e que o pouco cuidado que é dado aos ex-combatentes não "legitima a guerra".

Ventura contrapôs que depois do 25 de abril os ex-combatentes, os militares e os colonos foram "abandonados à sua sorte" porque Portugal "teve uma revolução miserável". Pacheco Pereira rebateu que foi o 25 de Abril que permitiu a "liberdade" de Ventura dizer o que pensa e a "democracia" que lhe permite estar no Parlamento.

A corrupção foi o tema final do debate, com ambos a concordarem que a corrupção em Portugal é "endémica" e Pacheco Pereira a acusar Ventura de não "lutar contra a corrupção" mas sim "contra a democracia" por associar uma a outra.

Já Ventura admitiu que havia corrupção na ditadura e que se vivesse durante a ditadura iria, da mesma forma, lutar contra a corrupção. "O que eu não tenho é palas, não vejo só corrupção à direita ou à esquerda", disse, finalizando: "José Sócrates roubou muito mais do que o Salazar".

Recorde-se que o desafio tinha sido lançado pelo historiador e aceite, no final da semana passada, pelo líder do Chega tendo como base a memória histórica antes e pós o 25 de abril.

Na quinta-feira, o presidente do Chega, , disse que aceitou debater com o historiador José Pacheco Pereira, que, no domingo passado, tinha desafiado André Ventura a a esgrimir argumentos com base em "factos e documentos".

As regras do debate incluiam a obrigatoriedade de fundamentar todas as afirmações com documentos, factos ou provas concretas.

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