Ventura ou Seguro? Passos, Durão Barroso, Santana, Portas ou Monteiro na reserva

Cavaco Silva, Poiares Maduro, Cecília Meireles, Mota Soares, vários destacados militantes do PSD e do CDS apressaram-se a declarar apoio a Seguro. Mas também há quem não tome posição ou a esteja a reservar para momento oportuno. Passos disse logo que não falará.
Ventura ou Seguro? Passos, Durão Barroso, Santana, Portas ou Monteiro na reserva

A lista de apoio a António Seguro para a segunda volta das presidenciais tem vindo a engordar e conta já com nomes de peso do PSD e CDS, mas há quem continue a preferir guardar  reserva sobre o candidato em que votará a 8 de fevereiro. Como é o caso de vários antigos líderes dos dois partidos que suportam o Governo de Luís Montenegro. O recém-empossado presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FALD) e antigo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, por exemplo, ainda não tomou qualquer posição pública. Enquanto outro ex-líder social-democrata, Pedro Passos Coelho se apressou a comunicar à agência Lusa que não irá pronunciar-se publicamente sobre em quem vai votar nesta segunda volta, tal como já o tinha feito em relação à primeira volta. No campo dos silêncios, também não faltam ex-líderes do CDS, como é o caso de Paulo Portas e Manuel Monteiro, a optarem pela reserva. Ou Assunção Cristas, que igualmente  se remetido ao silêncio.

Para já, o ex-Presidente da República Cavaco Silva, apesar de ainda não ter oficializado a sua intenção de voto, fez saber por fonte próxima que deverá manifestar «naturalmente» o seu apoio a Seguro – mas o anúncio só será feito «quando assim o entender».

É certo que, em artigo de opinião, Cavaco Silva já tinha aberto a porta para esta possibilidade, ao referir que a escolha presidencial é «muitíssimo importante para o futuro» do país e alertar para os riscos de uma eventual falta de qualificações específicas para o exercício da função, considerando que tal poderia «lesar» o interesse nacional. «Falar é relativamente fácil, fazer bem é mais difícil», escreveu.

Também em linha com o ex-Presidente da República estão alguns alguns dos seus ministros. Eduardo Catroga, ministro das Finanças do último Governo de Cavaco Silva, já chamou a atenção para a necessidade de Portugal precisar «de estabilidade» e de um Presidente que «seja um senador», defendo que é em Seguro que vê capacidade para «gerar consensos». Uma opinião partilhada por Fernando Negrão, para quem se trata de uma escolha que respeita o «bom senso e do equilíbrio contra o radicalismo».

Ainda indeciso está o também antigo ministro cavaquista Luís Mira Amaral. «Estou em reflexão e em análise dos candidatos, desejando que a campanha eleitoral para a segunda volta ajude a clarificar a visão dos candidatos sobre coisas que considero importantes tais como imigração e legislação laboral. Por isso ainda não decidi», esclareceu.

Também em declarações ao Nascer do SOL, a ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, admitiu que, «salvo algum ato ou facto que venha a ocorrer na campanha e que esteja em contradição com os (seus) princípios (o que não se divisa dada a idiossincrasia do candidato)», votará em António José Seguro. teixeira da Cruz  lembrou que, sendo social-democrata, entende como necessária uma lei de delimitação de setores robusta, o que a coloca ideologicamente no centro-esquerda.

Também Miguel Poiares Maduro, antigo ministro do PSD e membro da comissão política de Marques Mendes, anunciou logo na noite eleitoral que irá votar em Seguro, defendendo que o candidato socialista é «mais importante» e preferível para o PSD face a André Ventura.

Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto e ex-ministro de Luís Montenegro, também confirmou o voto em Seguro, considerando a decisão como «clara e inequívoca». Um cenário que se repete com José Eduardo Martins, António Capucho ou José Pacheco Pereira, todos militantes do PSD, que anunciaram igualmente que irão votar no candidato apoiado pelo PS.

É certo que esta divulgação de apoios contrasta com a posição do líder do PSD e de outros pesos pesados do partido que se tem remetido ao silêncio. Aliás, logo na noite eleitoral, o primeiro-ministro garantiu que continuará a governar e afirmou que o partido do Governo não vai envolver-se na campanha para a segunda volta nem dar qualquer indicação de voto. «Nesta segunda volta não estará representado o nosso espaço político. Aceitamos essa escolha com humildade democrática. O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo», referiu.

Uma decisão que tem sido alvo de críticas, mas que também conta com muitos defensores. É o caso de Paula Teixeira da Cruz: «Fomos ensinados que ao Homem foi dado o livre arbítrio e foi isso que Montenegro fez. Maravilhosa Liberdade».

Também Rui Moreira – que foi mandatário nacional da candidatura de Marques Mendes nas presidenciais e que já anunciou o voto em Seguro por querer «um Presidente que seja de todos» –já veio apoiar a neutralidade de Montenegro, por considerar que o Governo não sabe quem vai ter em Belém. «O Parlamento está dividido entre três blocos. Parece normal que o PSD e o Governo deixem aberto todas as opções», disse em entrevista à Antena 1.

O antiguo líder dos sociais-democratas Rui Rio, que apoiou o almirante Gouveia e Melo na primeira volta das eleições, não se quis comprometer com apoio público a nenhum dos dois candidatos. «Para já vou-me manter publicamente reservado», disse ao Nascer do SOL.

Já Marques Mendes, que ficou em quinto lugar na ida às urnas de 18 de janeiro, veio já declarar o seu apoio a António José Seguro. «O único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação», justificou o social-democrata.

 

Centristas entre silêncio e apoio

O CDS, que está no Governo coligado com o PSD, também optou por não dar apoio a nenhum dos candidatos, nem Seguro, nem Ventura, referindo que o partido «combate o socialismo e rejeita o populismo» e, com tal, entende que «em coerência não terá nenhum empenhamento orgânico, nem institucional, nesta segunda volta, nem dará apoio a qualquer dos candidatos».

Tal como acontece no PSD, há atuais e ex-dirigentes centristas que preferem remeter-se ao silêncio, na linha de Manuel Monteiro ou Paulo Portas.

Ao nosso jornal, José Ribeiro e Castro afirma que não irá dar apoio a ninguém e diz que, «salvo algum imprevisto», não fará campanha.

Mas vários destacados centristas também já declararam o seu apoio a Seguro. O mais recente foi o antigo ministro Luís Pedro Mota Soares, argumentando que partilha com o socialista o respeito pelos limites constitucionais dos poderes do Presidente da República.

Cecília Meireles também está com Seguro: «Tendo ponderadas as duas escolhas que temos, acho que tomei a minha decisão. Acho que António José Seguro será mais árbitro do que jogador».

E também Francisco Rodrigues dos Santos deu o seu apoio ao candidato do PS: «Não tenho dúvidas rigorosamente nenhumas de que lado estou».