O presidente do Chega, André Ventura, fez esta segunda-feira um duro ataque ao Governo liderado por Luís Montenegro, classificando o primeiro ano de governação do atual executivo como “um mau ano” e “um mau balanço”.
“Um mau ano, um mau balanço, e um mau governo durante um ano”, afirmou Ventura aos jornalistas antes do arranque das jornadas parlamentares do partido, que decorrem em Viseu até terça-feira.
O líder do Chega considerou que a diferença entre as promessas feitas por Luís Montenegro e os resultados alcançados “é gritante”, sustentando que os principais problemas do país continuam sem solução.
“Todos os grandes problemas que o Governo propôs resolver neste mandato não estão resolvidos”, afirmou, citado pela agência Lusa.
Ventura apontou críticas à área da saúde, defendendo que a situação “agravou-se” e acusando o executivo de não ter cumprido as promessas relacionadas com médicos de família e listas de espera para cirurgias.
“Hoje temos mais pessoas sem médicos de família. Continuamos a ter imensa, imensa, imensa gente, incontável gente, à espera de cirurgias que Luís Montenegro disse que ia assegurar”, declarou.
O presidente do Chega criticou ainda a ausência de avanços na reforma da justiça e acusou o Governo de promover “tentativas de tirar mais justiça e mais transparência”.
Na área da habitação, Ventura afirmou que os problemas persistem sem melhorias visíveis.
O líder partidário referiu também o impacto económico da guerra no Médio Oriente, acusando o executivo de aproveitar a subida dos preços dos combustíveis para aumentar a receita fiscal.
“Em vez de se preocupar com os custos que a guerra está a ter para os contribuintes, está a sacar dinheiro através dos impostos sobre combustíveis”, acusou.
Na abertura das jornadas parlamentares, André Ventura assinalou ainda que se cumpre um ano desde as últimas eleições legislativas, sublinhando que o Chega se tornou “líder da oposição em Portugal, com 60 deputados eleitos”.
Questionado sobre a reforma laboral que o Governo pretende apresentar, Ventura assegurou que o partido não apoiará medidas que prejudiquem os trabalhadores.
“O Chega não assinará nunca nenhuma reforma que piore, que dificulte a vida a quem trabalha”, afirmou.
Apesar disso, o líder partidário recusou antecipar um eventual voto contra ao lado do PS, argumentando que o diploma ainda não chegou ao Parlamento.
“Estamos muito longe disso ainda. Ainda nem chegou ao Parlamento o diploma”, disse.
Ventura acusou também o Governo de falta de transparência nas negociações sobre a reforma laboral e criticou a forma como o processo tem sido conduzido.
“Foi tudo mal feito, foi tudo mal gerido. Mostra um Governo impreparado para fazer reformas”, concluiu.