terça-feira, 09 jun. 2026

Ventura diz que Montenegro “não pode pedir” apoio do Chega para aprovar “reformas más para o país”

Líder do Chega acusa primeiro-ministro de se querer “vitimizar” e garante que o partido não viabilizará medidas que considera prejudiciais para o país.
Ventura diz que Montenegro “não pode pedir” apoio do Chega para aprovar “reformas más para o país”

O presidente do Chega, André Ventura, afirmou esta terça-feira que o primeiro-ministro “não pode pedir ao Chega” apoio para aprovar “reformas más para o país”.

“O primeiro-ministro quer vitimizar-se de reformas que faz mal, e eu não vou contribuir para essa vitimização”, declarou Ventura aos jornalistas, à margem das jornadas parlamentares do partido, em Viseu.

“Quando chegar o momento de ser feita essa avaliação, o primeiro-ministro será avaliado pelas reformas que fez ou que deixou de fazer”, acrescentou.

“Não pode dizer que o Chega não o deixa aprovar reformas”

O líder do Chega considerou também que Luís Montenegro “será também avaliado pelas más reformas que fez e que tentou fazer aprovar”.

“Não pode dizer que o Chega não o deixa aprovar reformas, quando as reformas que quer fazer é para tirar rendimentos a quem trabalha e para aumentar o nível de confusão, em vez de ser para lutar contra a corrupção”, afirmou.

“Portanto, não pode pedir ao Chega que lhe viabilize reformas, quando as únicas reformas que tem para apresentar são más para o país”, sustentou.

Ventura critica alterações ao Tribunal de Contas

As declarações surgem depois de Ventura ter avisado que o Chega votará contra a nova lei de organização do Tribunal de Contas caso o Governo mantenha alterações ao regime de fiscalização prévia.

“Se o Governo continuar a ter esta ideia de acabar com a fiscalização do Tribunal de Contas para os contratos públicos, basicamente, de matar o Tribunal de Contas, de matar a fiscalização”, afirmou.

Montenegro insiste em reformas do Estado

Na apresentação da sua moção de estratégia global no PSD, Luís Montenegro reiterou que manterá o compromisso de “não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS”.

O primeiro-ministro afirmou ainda que irá obrigar os partidos a “revelarem-se” no momento de votar reformas do Estado.

“Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver”, afirmou Montenegro.