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O líder do Chega, André Ventura, criticou esta sexta-feira o antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, defendendo que “já é tempo” de abandonar “coisas esotéricas” e assumir responsabilidades pelo atual estado do país.
As declarações foram feitas à margem da visita à 17.ª edição da Qualifica — Feira da Educação, Formação e Juventude, onde Ventura reagiu a um ensaio publicado no jornal Expresso pelo ex-chefe de Estado e antigo primeiro-ministro.
No texto, Cavaco Silva traça uma análise negativa do panorama político atual e acusa o líder do Chega de procurar “enganar e iludir os portugueses” com uma retórica que classifica como confrontacional. O antigo governante descreve ainda o partido como uma força política sem ideologia coerente e sem preparação técnica.
Em resposta, Ventura rejeitou as críticas e devolveu responsabilidades aos partidos tradicionais, nomeadamente ao Partido Socialista e ao Partido Social Democrata.
“Não foi o Chega que governou Portugal. Foram o PS e o PSD”, afirmou, questionando o papel histórico de Cavaco Silva na governação do país.
O líder partidário apontou diretamente ao percurso político do antigo Presidente: “Quem é que foi 10 anos primeiro-ministro? Não fui eu. Quem é que foi Presidente da República? Não foi o André Ventura, foi o professor Cavaco Silva.”
Ventura criticou ainda a gestão económica das últimas décadas, referindo o aumento do custo de vida e o que considera ter sido um desperdício de fundos europeus.
Desafio aos jovens e evocação de Sá Carneiro
Num tom mais político, Ventura evocou o antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro para sublinhar o apoio das gerações mais jovens ao seu partido.
“Os jovens estavam com Sá Carneiro, como hoje estão com o Chega”, afirmou, lançando um desafio direto a Cavaco Silva para visitar a feira no Porto e observar a receção dos jovens.
As declarações evidenciam o crescente clima de tensão entre o Chega e figuras históricas do sistema político português, num momento em que o debate sobre o futuro do país e a responsabilidade pelas dificuldades económicas ganha novo fôlego.
Ventura concluiu com críticas ao que considera ser uma tentativa de responsabilizar o Chega por problemas estruturais: “Cansa ver o país a degradar-se com governos do PS e do PSD e ouvir que a culpa é de quem nunca governou.