sexta-feira, 13 fev. 2026

Um frente a frente muito equilibrado

Seguro criticou a "política de empadão" de Ventura. O candidato do Chega classificou o seu opositor de "Melhoral".
Um frente a frente muito equilibrado

Apesar do debate televisivo entre António José Seguro e André Ventura ter sido o mais visto das presidenciais (3,2 milhões de espetadores) poderá não ter contribuído para captar eleitorado junto dos indecisos ou dos que estão junto de outras franjas políticas. «Creio que é muito difícil antecipar a direção de votos de quem votou em João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes», afirma ao Nascer do SOL a politóloga Paula Espírito Santo. 

E mesmo com as críticas de André Ventura a António José Seguro – chegando a classificá-lo «de Melhoral que não faz bem, nem faz mal» – e as acusações de Seguro a Ventura – catalogando-o como praticando uma «política do empadão, em que se mistura tudo, sem factos e baseado nas perceções» –, Paula Espírito Santo admite que foi um debate interessante. «Por um lado, António José Seguro conseguiu manter o nível e até conseguiu antecipar e colocar questões a André Ventura. Por outro lado, André Ventura manteve o seu registo normal de ser crítico, de ser invasivo, de ser contestatário, mas também não foi abaixo de uma determinada fasquia que já seria de má educação», salientou.

Ao mesmo tempo, elogia o facto de o debate não ter sido muito técnico e de não ter comprometido a própria forma como podemos ver a política e os políticos. «Pareceu-me um debate equilibrado e vivo. Não foi assim tão monótono como outros provavelmente consideram».

A politóloga chamou ainda a atenção para o facto de terem sido apresentadas algumas ideias, principalmente do lado do candidato que conta com o apoio do Partido Socialista, nomeadamente a vontade de estabelecer acordos entre os partidos para se encontrar um equilíbrio que possa durar até ao final da legislatura, estranhando, no entanto, que Ventura não tenha sobressaído em áreas em que sempre foi crítico. Ainda assim, lamentou que temas como a Defesa e a posição que cada um tem em relação aos conflitos internacionais e à forma como Portugal poderá ou não posicionar-se nesses conflitos tenham ficado por tratar.

É certo que apesar das divergências entre os dois candidatos há um tema que parece que os une: a lei laboral, em que tanto Seguro como Ventura assumem que vetarão se chegar como está a Belém. O socialista quer a concertação social a agilizar diálogos, já o líder do Chega preferia que fossem feitas aproximações no Parlamento. 

Também na Saúde parece que as opiniões se aproximam, com ambos a defenderam o investimento nas carreiras médicas para dedicação plena. Seguro acena com a tendência gratuita do SNS, defendendo um pacto para o setor, enquanto Ventura diz que privados têm de atuar com mais prontidão, prometendo mudar a lei de bases. 

Polémica em torno da nomeação do PGR

Mais polémica foi a ideia lançada pelo candidato apoiado pelo Chega de uma nomeação do PGR «dentro da corporação do Ministério Público», numa reflexão sobre a nomeação de vários altos cargos do Estado e criticando que essa indicação seja feita pelo Governo. Uma proposta que voltou a ser defendida no dia seguinte ao debate. «Acho que devemos evitar poderes absolutos e poderes de natureza absoluta. Acho que esta reflexão é mesmo importante de ser feita porque pode vir a salvaguardar no futuro a independência da justiça portuguesa», disse André Ventura. E acrescentou: «O que eu quero acabar é com ser o Governo, os partidos, a indicarem o Procurador-Geral da República. A partir daqui, podemos refletir sobre o melhor modelo». E referiu que poderia ser «um modelo em que haja um conselho do Ministério Público em consonância com o Presidente da República que venha a validá-lo ou um modelo eletivo como há nos países anglo-saxónicos ou um modelo como no italiano, em que é a própria justiça que consegue através de vários critérios».