Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre, é o mais novo na corrida a Belém. Apesar da juventude, foi um dos fundadores do partido, em 2014, e dez anos depois tornou-se o primeiro deputado do Livre eleito pelo círculo eleitoral do Porto. Apresenta-se como um «europeísta convicto», progressista, humanista e claramente de esquerda. «Sou orgulhosamente de esquerda porque a esquerda não é, nem será, uma gaveta, porque é uma janela que nos abre o mundo», disse, em novembro, quando formalizou a sua candidatura.
A sua entrada na política deu-se aos 18 anos, com a entrada no Partido Socialista, de onde saiu em 2013, quando António José Seguro era secretário-geral do PS.
Agora que o tema voltou à ribalta, o candidato às presidenciais esclareceu por que bateu com a porta: «A política portuguesa e em particular a sua esquerda precisa de ser renovada. Caso não se tomem medidas, o perigoso afastamento entre a sociedade e os partidos vai continuar a aumentar. Como socialista que sou e sempre continuarei a ser, julgo que neste momento histórico excecional serei mais útil fora do Partido Socialista do que dentro. Da minha parte, continuarei a tudo fazer para que o futuro traga mais justiça e igualdade, lutando dentro das minhas possibilidades para que tal se verifique», esclareceu à TSF, lendo a sua carta de desfiliação.
Argumentos que, segundo o candidato, continuam atuais e, se numa primeira fase terá aberto a porta à hipótese de poder vir a desistir da corrida para o seu rival socialista, passou entretanto a garantir que irá até ao fim, afirmando que aguardou por uma candidatura agregadora de esquerda, «que não chegou», e daí ter sido o último a oficializar a candidatura.
Nessa altura, afirmou: «Precisamos de uma candidatura da esquerda e da ecologia, europeísta, intransigente na defesa da dignidade e decência. Eu não podia virar a cara a esta luta».
Quanto aos desafios, o candidato revelou que é necessário «um Presidente da República que seja um contrapeso democrático. Um Presidente da República que tenha a coragem e a clareza de dizer o que fará caso o nosso regime e os alicerces do nosso regime estejam sob ameaça».
Eduardo Jorge Costa Pinto nasceu em Amarante, em abril de 1987. Filho de dois professores, Jorge e Ercília, é conhecido entre os amigos como ‘Jójó’.
Licenciou-se em Engenharia do Ambiente e mais tarde fez o doutoramento em Filosofia Social e Política com uma tese sobre republicanismo, ecologia e pós-produtivismo. Em 2008, saiu de Portugal «com passagens mais ou menos longas por Lituânia, Índia, França, Itália e Bruxelas», como diz no seu perfil no partido, onde trabalhou em instituições europeias e fez voluntariado numa associação de refugiados.
Foi um dos co-autores do livro Rendimento Básico Incondicional – Uma defesa da Liberdade, publicado em 2019 e vencedor do prémio de melhor ensaio da Sociedade Portuguesa de Filosofia, e também da obra A Liberdade dos Futuros, onde desenvolve o conceito de eco-republicanismo, a sua visão de liberdade e sobre como uma política assente na promoção da autonomia pode contribuir para uma sociedade mais justa num planeta sustentável.
Filipe Pinto publicou ainda duas obras de banda desenhada, uma sobre a vida de Amadeo de Souza-Cardoso e outra sobre RBI, assim como um livro ilustrado sobre a vida da sua avó sobre a migração portuguesa para França.
É casado com uma violoncelista espanhola e tem um filho de um ano. No programa de Júlia Pinheiro revelou que depois de 15 anos a viver no estrangeiro regressou a Portugal com a família, tendo sido eleito deputado à Assembleia da República, em 2024. No programa, reconheceu que a sua mulher desistiu de uma carreira de sucesso no estrangeiro para que ele pudesse seguir o seu sonho.