O SOL sabe que todos os deputados do Chega e vários deputados da bancada do PSD e também do próprio PS vão votar contra o nome indicado pela direção de José Luís Carneiro para a Provedoria de Justiça.
Tiago Antunes não conseguirá, por isso, reunir a maioria de dois terços dos votos indispensáveis para a sua nomeação somo sucessor de Maria de Lúcia Amaral.
Recorde-se que o PS e o PSD estabeleceram já este mês um acordo para a nomeação de órgãos externos, incluindo a indicação de Tiago Antunes como novo Provedor de Justiça, com o objetivo de reforçar a colaboração institucional. Já o Chega negociou apenas com o PSD a forma de sair do impasse da eleição para os órgãos externos que são da responsabilidade da AR.
No entanto, André Ventura numa nota nota enviada à sua banca explica desta decisão. "Este acordo obrigou a cedências, obviamente, de todos os lados. Para se desbloquear impasses de forma responsável nem sempre se consegue tudo de uma vez. O acordo alcançado foi o possível e já esticado ao limite", referindo ainda que, "nesse acordo, ficou definido que o Provedor de Justiça (cuja escolha deveria ser, por tradição, do Chega) seria indicação do PS", e que o partido aceitou apesar de discordar da situação.
Mas face ao nome escolhido, o líder do Chega recuou. "Não podemos aceitar um nome que representa o regresso do costismo e também da tralha socrática a um lugar de representação dos cidadãos e de defesa dos seus direitos fundamentais", considerando que eleger Tiago Antunes "é ir contra a limpeza das instituições que é preciso fazer e contra a ideia de começar a renovação dessas mesmas instituições. É pôr a lógica da podridão e da corrupção novamente em lugares de relevo ou decisão".
Na mesma nota esclarece que, não violando o acordo estabelecido não irá votar na sua viabilização para Provedor de Justiça e apela à bancada do seu partido para seguir o mesmo exemplo. "A minha indicação é que o Chega vote contra. Tanto quanto sei, a Il também o vai fazer e grande parte do PSD idem", refere.