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O debate pedido pelo Chega no Parlamento, na quinta-feira, terminou envolto em forte tensão política, após uma troca direta de acusações entre o líder do partido, André Ventura, e a vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais.
A sessão tinha como tema “As acusações de racismo na sociedade, no desporto e no sistema político: é preciso virar a página”, mas acabou marcada por um confronto verbal entre a mesa da Assembleia e a bancada do Chega.
No final da sua intervenção, André Ventura acusou várias forças políticas de ignorarem crimes cometidos contra mulheres estrangeiras.
“Se fossem portugueses estavam aqui aos gritos. Como são estrangeiros, protegem-nos porque preferem os criminosos às mulheres que são vítimas de crimes”, afirmou.
A declaração motivou uma intervenção da presidente da sessão, Teresa Morais, que quis responder ao conteúdo das acusações feitas no hemiciclo.
“É a minha convicção que nenhuma mulher nesta casa, seja ela sentada numa bancada à esquerda ou à direita, quer esconder violadores ou ignorar violações de mulheres”, declarou.
A resposta desencadeou novo confronto. Ventura pediu a palavra para contestar a intervenção da vice-presidente da Assembleia da República e acusou-a de ultrapassar o papel institucional da mesa.
“É às bancadas da oposição que cabe fazer o discurso político”, afirmou, acrescentando que Teresa Morais é “uma vergonha para as funções que exerce no parlamento”.
A social-democrata respondeu de imediato às críticas, rejeitando as acusações e apontando ao tom usado pelo líder do Chega.
“O senhor deputado não tem nenhum facto para apontar” e as suas intervenções servem apenas para “arrancar palmas à sua bancada”, afirmou.
A troca de palavras aumentou ainda mais a tensão no plenário. Durante o momento de maior agitação, Teresa Morais dirigiu-se também ao deputado Filipe Melo, que tinha abandonado a mesa para se juntar à bancada do Chega.
“Senhor deputado Filipe Melo, faça o favor de ficar calado, porque já toda a gente percebeu que o senhor deputado está na mesa a fazer trejeitos infelizes e depois sai da mesa quando lhe apetece para vaiar a mesa”, disse.
Após o episódio, os protestos intensificaram-se e os deputados do Chega acabaram por abandonar o hemiciclo antes do encerramento da sessão.
Ao fechar os trabalhos, Teresa Morais reiterou a crítica às acusações feitas durante o debate: “Não posso aceitar que se diga nesta casa que há mulheres de algumas bancadas que escondem criminosos e ignoram violações de outras mulheres”.
O incidente surge um dia depois de outro momento de tensão no Parlamento, quando André Ventura acusou a presidente da sessão de tratamento desigual durante o debate quinzenal.