Os telemóveis passaram a estar proibidos nas reuniões e audiências presenciais realizadas no Palácio de Belém, por decisão do Presidente da República, António José Seguro.
A medida, avançada pela SIC Notícias, abrange os participantes nos encontros realizados na Sala das Bicas, independentemente do cargo ou da função que desempenhem. O objetivo passa por reduzir os riscos associados à captação ou transmissão de informação e reforçar a segurança das conversas realizadas na sede da Presidência da República.
A nova regra significa que quem entra na sala para participar numa reunião deixa o telemóvel num local próprio antes do encontro.
Telemóveis ficam guardados à entrada
Os aparelhos são colocados num cacifo de acrílico, segundo a mesma fonte, permanecendo fora da sala durante a reunião ou audiência.
A regra aplica-se aos diferentes intervenientes que sejam recebidos pelo Presidente da República. Entre eles estão membros do Governo, líderes partidários, parceiros sociais e representantes estrangeiros.
Até o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, terá deixado o telemóvel no cacifo durante uma visita ao antigo gabinete presidencial.
Medida pretende reduzir riscos de segurança
A decisão surge num contexto de crescente preocupação com cibersegurança e proteção de informação sensível.
Os telemóveis modernos não servem apenas para realizar chamadas ou enviar mensagens. Os aparelhos dispõem de câmaras, microfones, sistemas de localização e ligação permanente a redes de comunicação, características que podem representar riscos acrescidos quando são utilizados em locais onde são discutidos assuntos reservados.
A Presidência considera, por isso, que a retirada dos dispositivos reduz potenciais meios de captação ou transmissão de informação durante reuniões.
A medida surge também num momento em que as ameaças informáticas são encaradas pelas instituições públicas como um problema de segurança cada vez mais relevante.
Nem o telemóvel do Presidente fica na sala
A regra é aplicada de forma abrangente.
Segundo a informação divulgada pela SIC Notícias, o próprio telemóvel de António José Seguro não permanece dentro da sala durante as reuniões.
O aparelho fica no exterior, sob acompanhamento de elementos da Casa Civil, permitindo que o Presidente possa ser contactado caso surja alguma situação urgente.
Desta forma, a regra não é aplicada apenas aos convidados, mas também ao próprio chefe de Estado.
Não é uma preocupação exclusiva de Belém
A utilização de telemóveis em reuniões de elevada sensibilidade já é alvo de restrições em vários contextos políticos e diplomáticos internacionais.
Em encontros onde são discutidas informações classificadas ou particularmente sensíveis, é comum limitar ou impedir a entrada de dispositivos eletrónicos, precisamente devido à possibilidade de estes serem utilizados para captar áudio, imagem ou outros dados.
A medida adotada por Seguro segue, nesse sentido, uma prática de segurança já utilizada em alguns governos, organizações internacionais e encontros diplomáticos de alto nível.