terça-feira, 21 jul. 2026

Socialistas a ferro e fogo em Coimbra

António Campos fala em ‘descalabro’ e ameaça com providência cautelar.
Socialistas a ferro e fogo em Coimbra

António Campos, fundador do PS e uma das figuras históricas do partido e do soarismo, ameaça avançar com uma providência cautelar para suspender as eleições para a Federação Distrital do PS de Coimbra, denunciando alegadas irregularidades e «violações grosseiras dos estatutos» no processo eleitoral que está agendado para dia 30 de junho. Em causa, de acordo com o histórico socialista, está o regulamento do partido que prevê que o não pagamento de quotas durante dois anos determina a suspensão dos direitos de militante do partido e que o militante só recupera o direito a votar 60 dias depois de pagar o valor em dívida.

Na corrida está Américo Baptista – antigo vereador na Câmara da Lousã. Integrou anteriormente secretariados da Federação distrital –, Pedro Coimbra, atual deputado à Assembleia da República e presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Coesão Territorial, e Victor Baptista, antigo governador civil e histórico dirigente do partido na região, que formalizou a sua candidatura no início de junho.

No Facebook, António Campos revelou que «a federação passou a ser um instrumento de assalto que utilizou toda a promiscuidade política para se instalar no poder, violando todos os princípios, valores e ética».

Para já, José Luís Carneiro tem dito que as eleições para a federação de Coimbra são um «assunto de foro interno» do partido, remetendo a questão para o Conselho de Jurisdição. 

O que não convence António Campos, que fala em «descalabro». «Após tanta promiscuidade e descrédito a que chegou a minha Federação de que fui o principal fundador e dinamizador, resolvi denunciar esta situação insustentável ao Secretário Geral. Ele em vez de tomar medidas urgentes de repor a legalidade democrática refugiou-se, dizendo que era um assunto interno. Não é um assunto interno, é um precedente gravíssimo que até envolve um membro da direção do secretariado nacional useiro e vezeiro na promiscuidade política. São valores e princípios violados que a ética obriga a denunciar publicamente em defesa de uma democracia responsável e transparente. Sem partidos responsáveis não há democracia que resista»,  escreveu na rede social. 

Polémica em Bragança

Também em Bragança, o cenário político é marcado por divisões internas para as eleições federativas. E, ao contrário do desejado ‘consenso’, as eleições serão disputadas por Júlia Rodrigues, deputada e antiga presidente da Câmara de Mirandela. Recentemente, conseguiu um acordo para integrar na sua lista Benjamim Rodrigues (atual presidente da Federação e ex-autarca de Macedo de Cavaleiros), que será o seu candidato a presidente da mesa da assembleia. 

Na corrida está ainda Bruno Veloso que formalizou a sua candidatura de oposição, defendendo uma reflexão sobre o futuro do partido no distrito.