Seguro marcou presença nas festas e bebeu por duas vezes o tradicional licor verde, adocicado, mas Pedro Nuno Santos optou se manter fisicamente distante, mas ativo nas redes sociais, lembrando que foi o primeiro dirigente socialista a avançar publicamente com o nome de António José Seguro como candidato presidencial — gesto que, recorda, lhe valeu críticas internas. “Lembro-me das críticas que recebi por ter referido o seu nome numa entrevista”, escreveu num post publicado no Instagram.
“António José Seguro foi audaz, decidiu avançar e não esperou pela aprovação de ninguém. Não foi calculista. Sabia dos riscos de uma candidatura presidencial num contexto histórico mais favorável à direita, mas também sabia que só pode vencer quem não tem medo de perder”, escreveu Pedro Nuno Santos, ex-líder do PS derrotado nas eleições legislativas de 18 de maio de 2025.
O antigo secretário-geral socialista reforça a ideia de que o eleitorado de Seguro é hoje amplo e transversal, sublinhando que o candidato conta “com o apoio de pessoas que nunca estiveram com ele, de pessoas que nunca acreditaram na sua candidatura e de pessoas que, já depois do anúncio da candidatura, defenderam que o PS não apoiasse ninguém”. Ainda assim, acrescenta, “António José Seguro conseguiu impor-se e convencer até os mais céticos”.
Pedro Nuno Santos destaca também características que considera consensuais, mesmo entre adversários políticos: “É sério, é honesto e é íntegro”. E prossegue numa comparação direta com outros candidatos: “António José Seguro tem a experiência política que Henrique Gouveia e Melo não tem; a independência face ao Governo que Marques Mendes não tem; o compromisso com a defesa da Constituição que André Ventura e Cotrim Figueiredo nunca terão; e a possibilidade de vencer que António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto não têm”.
Pedro Nuno Santos surge alinhado com as palavras de António José Seguro, que afirma ter “saído do sofá” ao perceber que “o insulto estava a substituir o debate racional”, que fala de “uma sociedade que se deslaça com tanto ódio”, do “código genético” de valores da sua candidatura e da defesa da Constituição.
Embora ausente da ação de campanha, Pedro Nuno Santos parece ecoar essas preocupações. “Num momento em que assistimos a avanços contra o Estado social e os direitos laborais, precisamos de um Presidente que não esteja zangado com a Constituição que temos. Precisamos de alguém que a defenda e a proteja. Alguém que, vindo da esquerda social-democrata, defenda um país onde todos se sintam respeitados, com justiça social e igualdade de oportunidades”, escreveu Pedro Nuno Santos.