“Só pode vencer quem não tem medo de perder”, diz Pedro Nuno Santos sobre Seguro

O ex-secretário-geral do Partido Socialista Pedro Nuno Santos, eleito deputado por Aveiro mas com o mandato suspenso, foi uma das figuras ausentes da ação de campanha de António José Seguro nas Festas de São Gonçalinho, na cidade, neste domingo, 11. Ainda assim, recorreu às redes sociais para manifestar publicamente o seu apoio ao candidato apoiado pelo PS.
“Só pode vencer quem não tem medo de perder”, diz Pedro Nuno Santos sobre Seguro

Seguro marcou presença nas festas e bebeu por duas vezes o tradicional licor verde, adocicado, mas Pedro Nuno Santos optou se manter fisicamente distante, mas ativo nas redes sociais, lembrando que foi o primeiro dirigente socialista a avançar publicamente com o nome de António José Seguro como candidato presidencial — gesto que, recorda, lhe valeu críticas internas. “Lembro-me das críticas que recebi por ter referido o seu nome numa entrevista”, escreveu num post publicado no Instagram.

“António José Seguro foi audaz, decidiu avançar e não esperou pela aprovação de ninguém. Não foi calculista. Sabia dos riscos de uma candidatura presidencial num contexto histórico mais favorável à direita, mas também sabia que só pode vencer quem não tem medo de perder”, escreveu Pedro Nuno Santos, ex-líder do PS derrotado nas eleições legislativas de 18 de maio de 2025.

O antigo secretário-geral socialista reforça a ideia de que o eleitorado de Seguro é hoje amplo e transversal, sublinhando que o candidato conta “com o apoio de pessoas que nunca estiveram com ele, de pessoas que nunca acreditaram na sua candidatura e de pessoas que, já depois do anúncio da candidatura, defenderam que o PS não apoiasse ninguém”. Ainda assim, acrescenta, “António José Seguro conseguiu impor-se e convencer até os mais céticos”.

Pedro Nuno Santos destaca também características que considera consensuais, mesmo entre adversários políticos: “É sério, é honesto e é íntegro”. E prossegue numa comparação direta com outros candidatos: “António José Seguro tem a experiência política que Henrique Gouveia e Melo não tem; a independência face ao Governo que Marques Mendes não tem; o compromisso com a defesa da Constituição que André Ventura e Cotrim Figueiredo nunca terão; e a possibilidade de vencer que António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto não têm”.

Pedro Nuno Santos surge alinhado com as palavras de António José Seguro, que afirma ter “saído do sofá” ao perceber que “o insulto estava a substituir o debate racional”, que fala de “uma sociedade que se deslaça com tanto ódio”, do “código genético” de valores da sua candidatura e da defesa da Constituição.

Embora ausente da ação de campanha, Pedro Nuno Santos parece ecoar essas preocupações. “Num momento em que assistimos a avanços contra o Estado social e os direitos laborais, precisamos de um Presidente que não esteja zangado com a Constituição que temos. Precisamos de alguém que a defenda e a proteja. Alguém que, vindo da esquerda social-democrata, defenda um país onde todos se sintam respeitados, com justiça social e igualdade de oportunidades”, escreveu Pedro Nuno Santos.