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O Presidente da República, António José Seguro, afirmou esta terça-feira que tem mantido uma relação de cooperação institucional com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhando que os dois têm realizado reuniões semanais de trabalho e que essa articulação tem contribuído para a estabilidade política.
"Tem havido uma boa articulação, boas reuniões de trabalho que temos tido semanalmente e, naturalmente, isso corresponde àquilo que eu também assumi como compromisso com os portugueses", afirmou António José Seguro em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde iniciou as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
O chefe de Estado lembrou que assumiu desde o início do mandato o compromisso de exercer funções acima das disputas partidárias, procurando promover o equilíbrio institucional. "Assumi perante os portugueses ser um Presidente acima de todos os partidos, um Presidente de equilíbrio", declarou.
António José Seguro assinalou ainda que se cumprem precisamente três meses desde a sua tomada de posse e considerou que tem conseguido concretizar esse objetivo. "Vim para equilibrar o sistema político e sinto-me feliz porque, nestes três meses, tenho conseguido. É a avaliação que eu faço", afirmou.
Questionado sobre declarações anteriores em que referiu que ele e Luís Montenegro se complementavam, o Presidente respondeu com uma nota de humor. "Complementámo-nos porque eu decidi pôr a minha assinatura na bandeira nacional na parte verde e o senhor primeiro-ministro na parte vermelha", disse.
Ainda assim, segundo a agência Lusa, destacou a importância do papel presidencial na criação de condições para a governação. "O Presidente da República tem uma responsabilidade muito grande de criar condições para que os Governos tenham condições para executar o seu programa. É assim que os países avançam", sustentou.
Relação com os EUA deve ser aprofundada
António José Seguro abordou também questões de política externa e defesa, defendendo o reforço das relações entre Portugal e os EUA. O Presidente da República reiterou a sua posição favorável à manutenção da NATO como pilar da segurança euro-atlântica e considerou que Lisboa deve continuar a aprofundar a cooperação com Washington.
"Devemos ter boas relações com os Estados Unidos da América. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis, económico, comercial e de segurança", afirmou. O chefe de Estado defendeu igualmente uma visão mais abrangente da relação atlântica, incluindo o reforço dos laços com o Canadá e com os países do Mercosul.
"Temos uma vocação universalista e devemos dar expressão a essa vocação através de cooperações muito concretas", acrescentou. Ao mesmo tempo, António José Seguro sustentou que o fortalecimento das relações transatlânticas não é incompatível com uma maior autonomia estratégica da Europa. "Acho que as duas dimensões são perfeitamente complementares", afirmou.
O Presidente reafirmou o seu apoio ao reforço das capacidades europeias em matéria de segurança e defesa, considerando que a União Europeia deve aumentar a sua capacidade de resposta perante os desafios internacionais.
Questionado sobre uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos relativo à utilização da Base das Lajes, nos Açores, Seguro considerou que não é o momento adequado para discutir essa matéria.
"Não é este o momento", respondeu.
Dia de Portugal arranca nos Açores
Na sua primeira deslocação oficial à Região Autónoma dos Açores enquanto Presidente da República, António José Seguro foi recebido pela representante da República, Susana Goulart Costa, no Solar Madre Deus, em Angra do Heroísmo.
O chefe de Estado escolheu o académico açoriano Miguel Monjardino para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano.
O programa inclui encontros com jovens, receções ao corpo diplomático acreditado em Portugal e diversas iniciativas culturais na ilha Terceira.
Na quarta-feira, a cerimónia militar do Dia de Portugal decorrerá no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, e contará com intervenções do Presidente da República e de Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais.
As comemorações terminam com um almoço popular no Porto Judeu e com a cerimónia do arriar da bandeira nacional, encerrando as primeiras celebrações do 10 de Junho do mandato de António José Seguro.