A direção do Bloco de Esquerda (BE) reagiu esta terça-feira à saída de 60 militantes, entre os quais figuras históricas como Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, lamentando a decisão e defendendo que as divergências entre as partes já eram conhecidas há vários anos.
Em comunicado, o Secretariado do partido afirma que os elementos do grupo Convergência "têm vindo a sair parcelarmente do Bloco de Esquerda, numa decisão programada e repetidamente anunciada na comunicação social".
Segundo a direção bloquista, as diferenças políticas "manifestam-se desde há muito", destacando entre elas "a crítica da posição solidária do Bloco com o povo ucraniano, vítima da invasão de Putin".
Apesar da rutura, a direção garante que espera voltar a encontrar estes antigos militantes "em lutas fundamentais da esquerda".
Grupo diz que "o nosso Bloco acabou"
Horas antes, um grupo de 60 militantes anunciou a saída do partido, alegando que o projeto político com que se identificavam deixou de existir.
"Sem pena, dadas as circunstâncias expostas, mas lamentando o fim de um projeto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma alternativa contra a hegemonia neoliberal, tendo como horizonte a radical transformação da sociedade, deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco acabou", escreveram num comunicado.
Entre os subscritores destacam-se o histórico da UDP Mário Tomé e Pedro Soares, antigo deputado do BE e um dos críticos mais persistentes da atual direção.
Os militantes sustentam ainda que "o Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é", embora reconheçam que muitos dos que permanecem no partido "são genuínos militantes por uma esquerda de combate".
Críticas ao rumo do partido
No comunicado, os antigos militantes fazem um balanço muito crítico da evolução do Bloco de Esquerda nos últimos anos, apontando mudanças na orientação política, sobretudo após o fim da solução governativa da geringonça.
O partido, que chegou a ser a terceira força política mais representada na Assembleia da República, conta atualmente com apenas um deputado.
A troca de posições evidencia um novo momento de tensão interna no Bloco de Esquerda, numa altura em que o partido procura recuperar influência política após sucessivos recuos eleitorais.