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A obra inovadora de Vhils que ficará para sempre como o retrato do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no Museu da Presidência já está em Belém. Foi apresentado esta quarta-feira, cinco dias antes da tomada de posse do novo presidente eleito, António José Seguro. A notícia foi avançada pelo jornal Observador.
Há menos de um mês, Alexandre Farto, comummente conhecido como Vhils, foi anunciado como aquele que seria o autor do retrato de Marcelo Rebelo de Sousa, rompendo com a tradição dos retratos institucionais.
"Vhils iniciou o seu percurso no graffiti ainda na adolescência, desenvolvendo uma linguagem própria marcada por técnicas diferenciadas e pela intervenção direta sobre os materiais", pode ler-se no site do Museu da Presidência.
É a primeira vez que Vhils faz uma obra deste género. Segundo o artista, é uma mistura entre escultura e colagem, onde se encontram jornais e revistas dos 10 anos de mandato de Marcelo.
"Com obras espalhadas por várias cidades do mundo, é, hoje, uma referência internacional da arte contemporânea portuguesa", continua a nota.
Vhils é conhecido pelo seu trabalho que representa uma reflexão sobre a evolução urbana, o consumismo e a perda de identidade, transformando edifícios devolutos, por exemplo, em verdadeiras obras de arte.
Na apresentação do retrato esta quarta-feira, Marcelo explicou como convidou o artista para autor do retrato.“Ele, muito honestamente, disse que não”, recorda, justificando que era “de outro mundo, de outro domínio”. Foi o fotógrafo Rui Ochôa que informou o presidente que, afinal, Vhils tinha começado a "trabalhar no retrato".
“Fez-me uma pergunta: como é que acha que deve ser o retrato? E eu disse que eu sou um otimista, não excessivo, para usar uma expressão moderada, mas realista, mas sou um otimista, mas não estava num momento particularmente otimista. E disse-lhe que há o peso de dois mandatos (…), dez anos de peso, penso no que se passou no mundo, o que se passou na Europa e em Portugal”, continuou a contar.
Marcelo Rebelo de Sousa revela que apenas pediu a Vhils que o retrato fosse a representação do período em que assumiu a "responsabilidade na Presidência da República". Não só a estrutura do retrato como o material utilizado vai ao encontro desse pedido.
“Visto de perto, é completamente diferente. Podemos ver, quem tiver paciência, ali o retrato de alguém que foi primeiro-ministro [António Costa] comigo, em tempos. Ali, problemas dos fogos, acolá, problemas da pandemia”, destaca, confirmando ainda que ficou “muito satisfeito”. Marcelo Rebelo de Sousa rematou com um tom humorístico, garantindo que esta foi a "ideia mais louca" que teve nos 10 anos de mandato. “Eu sou considerado muito original, esta foi a minha maior originalidade“, concluiu.
O Museu da Presidência termina com a informação de que o retrato pode ser visto a partir desta quarta-feira na Galeria dos Retratos do museu, juntamente com os retratos de António Ramalho Eanes, da autoria de Luís Pinto Coelho, o de Mário Soares, feito por Júlio Pomar, o de Jorge Sampaio, pintado por Paula Rêgo, e o de Aníbal Cavaco Silva, da autoria de Carlos Barahona Possolo.