Rangel quebra silêncio sobre as Lajes e acusa PS de mudar discurso sobre apoio aos EUA

Ministro dos Negócios Estrangeiros garante que não existe qualquer informação confidencial sobre o caso e acusa o PS de quebrar o sentido de Estado numa crise internacional.
Rangel quebra silêncio sobre as Lajes e acusa PS de mudar discurso sobre apoio aos EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou esta segunda-feira estar disponível para prestar esclarecimentos no Parlamento sobre a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos no contexto do conflito com o Irão.

O governante admitiu comparecer já esta quarta-feira na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e garantiu que a sessão poderá decorrer “à porta aberta”, defendendo que não existe qualquer matéria confidencial por esclarecer.

A polémica surgiu depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter agradecido publicamente a Portugal pela autorização concedida aos EUA para utilização da base aérea açoriana durante o conflito com o Irão.

Governo e PS trocam críticas sobre autorização

O Partido Socialista pediu explicações ao Governo e criticou a gestão política do caso. O secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, afirmou que “um dos dois está a faltar à verdade”, enquanto o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, acusou o Governo de fragilizar a posição internacional do país.

Em resposta, Paulo Rangel acusou o PS de fazer “chicana política” durante uma crise internacional e considerou “inaceitáveis” as declarações da direção socialista.

Segundo o ministro, o PS foi previamente informado sobre o processo, tal como o Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Presidente eleito, António José Seguro.

Governo garante que autorização só surgiu após ataques

O Ministério dos Negócios Estrangeiros já tinha esclarecido que o pedido formal dos EUA para utilização da Base das Lajes aconteceu apenas após os ataques ao Irão e que Portugal impôs condições específicas para essa autorização.

Segundo Paulo Rangel, antes do conflito a base foi utilizada dentro do regime habitual de autorizações tácitas aplicadas em várias infraestruturas militares europeias.

O ministro insistiu ainda que “não há nenhum problema” diplomático entre Portugal e os Estados Unidos e garantiu que todas as decisões foram tomadas dentro das regras internacionais e em articulação com os aliados.