quinta-feira, 16 abr. 2026

Quanto vale a pensão de Centeno? Parlamento quer ver documentos e esclarecer descontos

PSD, CDS-PP e Chega aprovaram o pedido para aceder à ata do Banco de Portugal, com o PS a abster-se. Deputados querem conhecer o valor da reforma e a carreira contributiva do ex-governador.
Quanto vale a pensão de Centeno? Parlamento quer ver documentos e esclarecer descontos

Os deputados do PSD, CDS-PP e Chega aprovaram esta quarta-feira, na Comissão de Orçamento, um requerimento para que o Banco de Portugal envie ao Parlamento a ata que esteve na base da atribuição da pensão antecipada a Mário Centeno. O PS optou pela abstenção.

O pedido, apresentado pelo CDS-PP, surge após se tornar pública a passagem à reforma do ex-governador, aos 59 anos. Em causa está o acesso à “ata da decisão do Conselho de Administração que esteve na base na atribuição da pensão de reforma”, bem como informação detalhada sobre o valor mensal a receber e o histórico de descontos.

Com base em notícias que apontam para uma pensão na ordem dos 10 mil euros brutos mensais, os deputados pretendem que o Banco de Portugal esclareça “o valor da reforma atribuída” e “quantos anos de desconto” foram considerados, questionando ainda se esses descontos “dão direito ao valor da pensão atribuída”.

O requerimento inclui ainda pedidos de informação sobre o percurso remuneratório de Centeno, nomeadamente o salário quando entrou para o Governo em 2015, quando cessou funções como governador e a situação imediatamente antes da passagem à reforma.

Durante a discussão, o CDS-PP defendeu a necessidade de escrutinar o processo para perceber se estão reunidas as condições legais de acesso à reforma antecipada, nomeadamente os critérios de idade e de carreira contributiva. Já o PS criticou politicamente a iniciativa, mas optou por não votar contra.

O PSD levantou dúvidas sobre o enquadramento legal do pedido, admitindo a necessidade de avaliação pela Comissão de Assuntos Constitucionais. O Chega, por seu lado, defendeu que o Parlamento deve obter a informação diretamente do Banco de Portugal.

Foi ainda aprovado um aditamento para ouvir o responsável pelo fundo de pensões do banco central, bem como um requerimento para que o atual governador preste esclarecimentos no Parlamento.

Entretanto, em declarações ao Diário de Notícias, Mário Centeno afirmou que a decisão de se reformar foi uma “decisão consciente de liberdade”, garantindo que não representa um ganho financeiro.