segunda-feira, 18 mai. 2026

PSD quis dar nome de Marcelino da Mata a rua de Lisboa, esquerda chumbou e Chega propôs mudar Amílcar Cabral

Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou proposta do PSD para nova designação toponímica, com votos contra de PS, BE, PCP, PAN, PEV, Livre, IL e de uma deputada do CDS, numa votação marcada por divisão política e polémica histórica.
PSD quis dar nome de Marcelino da Mata a rua de Lisboa, esquerda chumbou e Chega propôs mudar Amílcar Cabral

A Assembleia Municipal de Lisboa chumbou a proposta do PSD para atribuir o nome de Marcelino da Mata a uma rua da cidade, numa votação marcada por forte confronto político.

Os sociais-democratas defendiam a homenagem ao tenente-coronel, sublinhando tratar-se de “um dos militares mais condecorados do exército português”, distinguido com a Ordem Militar da Torre e Espada e várias Cruzes de Guerra pela sua atuação na Guerra Colonial, na Guiné-Bissau.

A recomendação acabou rejeitada com os votos contra de PS, BE, PCP, PAN, PEV, Livre, IL e da deputada do CDS Helena Ferro Gouveia, que votou em sentido contrário ao seu partido, adiantou a agência Lusa.

Durante o debate, partidos à esquerda criticaram a iniciativa, acusando o PSD de ignorar o contexto político do regime anterior ao 25 de Abril e de promover uma leitura parcial da história. Foram também evocadas acusações relacionadas com a atuação de Marcelino da Mata durante o conflito, com vários deputados a considerarem que uma eventual homenagem seria desajustada.

O PS justificou o voto contra com a ideia de que a proposta ultrapassava uma simples homenagem individual, sendo vista como uma tentativa de reinterpretação do passado colonial português.

Do lado da direita, houve defesa do reconhecimento do percurso militar de Marcelino da Mata. O Chega apoiou a iniciativa e foi mais longe, propondo a substituição do nome da Rua Amílcar Cabral, uma sugestão que aumentou a tensão no debate, segundo a agência Lusa.

Marcelino da Mata, natural da Guiné-Bissau, destacou-se como um dos militares mais condecorados do Exército português e integrou os Comandos durante a Guerra Colonial. Após a independência do território, viveu no estrangeiro antes de regressar a Portugal.

A votação reflete a sensibilidade política e histórica associada à toponímia e à memória do período colonial, continuando a gerar divisões entre os diferentes quadrantes políticos.