terça-feira, 16 jun. 2026

PSD e Chega adiam revisão constitucional e apontam conclusão do processo para 2027

Os dois partidos acordaram prolongar até 30 de dezembro o prazo para apresentação de projetos de revisão constitucional. O entendimento levou à devolução da proposta já entregue pelo Chega e abre caminho a novas alterações ao documento.
PSD e Chega adiam revisão constitucional e apontam conclusão do processo para 2027

PSD e Chega chegaram a acordo para prolongar até 30 de dezembro o prazo de entrega dos projetos de revisão constitucional, assumindo simultaneamente o objetivo de concluir todo o processo até ao final da próxima sessão legislativa, no verão de 2027.

O entendimento foi formalizado através de um requerimento conjunto assinado pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e pelo presidente do Chega, André Ventura.

A decisão teve efeitos imediatos. Na sequência do acordo entre os dois partidos, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, determinou a devolução ao Chega do projeto de revisão constitucional que o partido tinha apresentado no passado dia 7 e que se encontrava em análise para verificação da sua conformidade com a Constituição.

Entendimento entre PSD e Chega

No requerimento conjunto, o Chega reconhece que o adiamento não correspondia ao cenário inicialmente desejado pelo partido. Ainda assim, refere que o compromisso assumido pelo PSD de participar ativamente no processo permitiu alcançar um entendimento.

O documento refere a intenção de ambas as forças políticas de concluírem a revisão constitucional até ao final da próxima sessão legislativa, estabelecendo assim um horizonte temporal que aponta para meados de 2027.

Proposta do Chega poderá ser alterada

O processo de revisão constitucional tinha sido desencadeado pelo Chega no início deste mês. Contudo, segundo o requerimento agora apresentado, o PSD transmitiu ao partido liderado por André Ventura que não pretendia avançar de imediato para a discussão da matéria por razões de natureza política, propondo uma extensão do prazo para apresentação das propostas.

No texto subscrito pelos dois partidos lê-se que o Grupo Parlamentar do Chega aceita o alargamento do prazo por existir um compromisso de participação efetiva do PSD no processo.

"Assim sendo, com o intuito de assegurar uma calendarização conjunta deste processo, o Grupo Parlamentar do Chega não vê óbice a que o prazo de entrega de projetos de revisão constitucional possa ser alargado até 20 de dezembro, ficando também o autor do projeto livre para, no âmbito do diálogo com os restantes partidos, submeter novas alterações ou acréscimos ao documento já submetido", refere o requerimento.

Foi precisamente esta possibilidade de introdução de alterações à proposta inicial que levou o presidente da Assembleia da República a devolver o projeto ao Chega, interrompendo a análise jurídica que estava a ser realizada pelos serviços parlamentares.

Processo ganha novo calendário

Com este acordo, a revisão constitucional entra numa nova fase, marcada por um período adicional de negociação e preparação de propostas entre os partidos.

A expectativa manifestada por PSD e Chega é que esse trabalho permita reunir condições para uma discussão mais alargada da Lei Fundamental ao longo da próxima sessão legislativa, com vista à conclusão do processo até ao verão de 2027.