terça-feira, 21 jul. 2026

PS vai a votos entre consensos e disputas

Federações e concelhias vão pela 1.ª vez a votos sob a liderança de José Luís Carneiro, com Coimbra a concentrar a maior contestação.
PS vai a votos entre consensos e disputas

As eleições para as federações e concelhias do PS arrancam nesta sexta-feira e prolongam-se no sábado, sendo as primeiras com José Luís Carneiro à frente do PS. E, tal como o SOL avançou, é em Coimbra que o clima está mais intenso, contrariando os esforços do secretário-geral do PS para que em cada estrutura local do partido houvesse unidade, de forma a evitar batalhas ou possíveis fraturas internas. 

António Campos, fundador do PS e uma das figuras históricas do partido e do soarismo, avançou – juntamente com outros militantes socialistas – com uma providência cautelar para tentar suspender as eleições da federação em Coimbra, denunciando irregularidades e «violações grosseiras dos estatutos» no processo eleitoral. Em causa, de acordo com o histórico socialista, está o regulamento do partido que prevê que o não pagamento de quotas durante dois anos determina a suspensão dos direitos de militante e que o militante só recupera o seu direito de voto 60 dias depois de pagar o valor em dívida.

Ainda esta semana, o histórico socialista voltou a apontar o dedo ao que se assiste em Coimbra. «Hoje começo por recusar o que passa na minha Federação de Coimbra que era uma referência a nacional e que se transformou há muito num bando organizado de tomada do poder, até já infelizmente condenado em tribunal anteriormente, por violação dos princípios e valores do partido», acusou no Facebook. E acrescentou: «Há uma degradação ética e política que ferem mortalmente toda a história e valores do partido a que dediquei parte da minha vida com enormes sacrifícios e perseguições, que em nome de valores e princípios que sempre me orientaram estão descaradamente a serem violados. Os silêncios são mortais para quem ama a Democracia». 

Também em Bragança, o cenário político é marcado por divisões internas para as eleições locais. Ao contrário do desejado ‘consenso’, as eleições serão disputadas por Júlia Rodrigues, deputada e antiga presidente da Câmara de Mirandela. Recentemente, conseguiu um acordo para integrar na sua lista Benjamim Rodrigues (atual presidente da Federação e ex-autarca de Macedo de Cavaleiros), que será o seu candidato a presidente da mesa da assembleia. 

Também disputada será a eleição em Braga. Ricardo Costa, atual membro da Comissão Política Nacional do PS, apresenta-se à liderança da federação, contando com o apoio da atual presidente, Liliana Pereira. A este junta-se outro candidato: Sérgio Castro Rocha. 

O mesmo cenário repete-se em Viseu, onde concorre Armando Mourisco – atual presidente da federação e deputado – e Lúcia Araújo Silva. 

Porto e Lisboa com consenso

Em Lisboa, os ânimos estão mais tranquilos com Carla Tavares a recandidatar-se à Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) e com Davide Amado a concorrer à concelhia da capital. 

O mesmo se passa no Porto. Nuno Araújo está na corrida à distrital do Porto, mas assiste-se a mudanças na concelhia, com a saída de Tiago Barbosa Ribeiro e com a entrada de Luís Catarino, conhecido por ser figura próxima do líder socialista.

Ao mesmo tempo, assiste-se a candidaturas únicas e cujos candidatos não se voltam a candidatar à liderança das federações. É o caso de Vítor Pereira em Castelo Branco, Brian Silva no Oeste, Alexandre Lote na Guarda, Hugo Costa em Santarém e André Pinotes Batista em Setúbal.

Por outro lado, há ainda mudança de cadeiras por os atuais dirigentes estarem de saída: Hugo Pereira no Algarve, Marcelo Guerreiro no Baixo Alentejo, João Grilo em Évora, Tiago Teotónio Pereira em Portalegre e Luís Nobre em Viana do Castelo.

Recorde-se que, tal como SOL já avançou, nos últimos anos as estruturas concelhias do PS estão a assumir um papel cada vez mais determinante nas disputas internas pelo controlo do partido, numa altura em que muitos militantes consideram que o verdadeiro poder de mobilização deixou de estar nas secções e passou para os presidentes das concelhia.