terça-feira, 18 ago. 2026

Professores vão receber horas extraordinárias pela correção dos exames nacionais

O Governo vai pagar horas extraordinárias aos professores que estão a corrigir os exames nacionais, anunciou este sábado o vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho. A decisão surge numa altura em que o processo de classificação continua marcado por problemas na plataforma digital e críticas de docentes e diretores escolares
Professores vão receber horas extraordinárias pela correção dos exames nacionais

O Governo vai remunerar com horas extraordinárias os professores envolvidos na correção dos exames nacionais, como forma de reconhecer o esforço adicional exigido pelo processo de classificação deste ano.

O anúncio foi feito este sábado pelo vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho, numa conferência de imprensa realizada na sede nacional do partido.

"Em jeito de reconhecimento do esforço de todos os professores que estão neste momento, numa manhã de sábado, a corrigir as provas dos exames nacionais, foi decidido pelo senhor ministro da Educação que o Governo vai pagar horas extraordinárias a todos os professores que estão a corrigir essas provas, em reconhecimento pelo seu esforço extraordinário", afirmou.

Segundo Sebastião Bugalho, o modelo concreto de pagamento ainda está a ser definido e será apresentado em breve pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre.

Correção dos exames continua envolta em polémica

A decisão surge num contexto de forte contestação ao processo de classificação dos exames nacionais, marcado por falhas na plataforma digital utilizada para a correção das provas.

Os constrangimentos levaram o Ministério da Educação a alterar o calendário dos exames, adiando a divulgação das classificações da primeira fase e ajustando também as datas da segunda fase.

Apesar dos problemas, o ministro da Educação afirmou esta semana que mais de 75% das provas já estavam corrigidas e manifestou confiança de que as pautas serão afixadas no próximo dia 17 de julho.

Eduqa responde a denúncias sobre respostas incompletas

Entretanto, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) rejeitou as denúncias do movimento Missão Escola Pública de que os professores estariam a ser orientados para classificar respostas incompletas dos exames.

Em comunicado, o organismo esclareceu que as orientações oficiais não preveem essa prática e explicou que foi criado um sistema específico para os classificadores reportarem problemas detetados nas provas.

Segundo o Eduqa, após os primeiros alertas dos professores foi realizada uma intervenção técnica na plataforma, durante a noite de quinta-feira, para corrigir desconformidades e normalizar o processo de classificação.

Ainda assim, o movimento Missão Escola Pública denunciou que, em fóruns internos de apoio aos classificadores, alguns supervisores admitiram que, caso as folhas em falta não fossem disponibilizadas até ao final do processo, as respostas deveriam ser classificadas apenas com a informação existente.

Diretores pedem esclarecimentos ao Ministério

Também os diretores escolares manifestaram preocupação com a forma como será implementada a decisão de permitir que todos os alunos tenham acesso às provas já corrigidas.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, defendeu que o Ministério da Educação deve esclarecer rapidamente como será operacionalizado esse processo.

"Os diretores estão preocupados. Sabendo que é uma novidade no sistema educativo, queremos saber como se vai operacionalizar o processo", afirmou.

Este ano, cerca de 300 mil exames nacionais dos 11.º e 12.º anos foram digitalizados pela primeira vez, uma mudança que esteve na origem de vários constrangimentos técnicos e organizacionais.

Filinto Lima alertou ainda para a elevada carga de trabalho dos professores classificadores, lembrando que muitos chegam ao período de correção após um ano letivo completo e enfrentam agora um volume significativo de provas para avaliar.

Com o pagamento de horas extraordinárias, o Governo pretende reconhecer esse esforço adicional e responder às críticas geradas pelas dificuldades registadas no processo de correção dos exames nacionais.