quinta-feira, 05 mar. 2026

Primeiras urgências regionais de obstetrícia arrancam “dentro de pouco tempo”

De acordo com os dados apresentados, o SNS assegurou 14,1 milhões de consultas em 2025, um crescimento de 2,2% face ao ano anterior, e realizou 784.580 cirurgias — o valor mais elevado de sempre. As cirurgias programadas aumentaram 1,3% em relação a 2025
Primeiras urgências regionais de obstetrícia arrancam “dentro de pouco tempo”

A ministra da Saúde estimou esta terça-feira que as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia vão entrar em funcionamento “dentro de pouco tempo”, assegurando que a solução foi trabalhada em articulação com os profissionais de saúde.

Em audição na Comissão Parlamentar de Saúde, Ana Paula Martins explicou que as primeiras urgências externas de âmbito regional vão funcionar na Península de Setúbal, centralizadas no Hospital Garcia de Orta, bem como na Unidade Local de Saúde de Vila Franca de Xira e na Unidade Local de Saúde Beatriz Ângelo.

“Não estamos a impor modelos administrativos desligados da realidade clínica, mas sim respostas com quem conhece os serviços, as equipas e as necessidades das populações”, afirmou a governante, sublinhando que o processo está a ser “diretamente trabalhado com os profissionais no terreno”.

De acordo com a agência Lusa, a ministra adiantou ainda que, após a concretização e avaliação destas duas primeiras experiências, deverá ser criada uma urgência regional na região Oeste, no âmbito do novo regime legal já promulgado pelo Presidente da República.

SNS melhora saldo, mas dívida a fornecedores aumenta

Na audição regimental, Ana Paula Martins revelou que o saldo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se fixou em -1.035 milhões de euros em 2025, uma melhoria de 533,9 milhões face ao período homólogo, resultado de um crescimento de 10% da receita.

Com as dotações de capital realizadas, no valor de 1.311,4 milhões de euros, o saldo global atingiu 276,3 milhões de euros.

Já a dívida total a fornecedores externos ascendeu a 1.510,3 milhões de euros, mais 148,1 milhões do que no período homólogo, o que representa um aumento de 10,9%. Ainda assim, a ministra destacou que, em janeiro deste ano, a dívida foi reduzida em 916,9 milhões de euros (menos 37,8%) face a dezembro de 2025, considerando tratar-se de um “esforço claro de regularização de pagamentos”.

Consultas e cirurgias em máximos históricos

De acordo com os dados apresentados, o SNS assegurou 14,1 milhões de consultas em 2025, um crescimento de 2,2% face ao ano anterior, e realizou 784.580 cirurgias — o valor mais elevado de sempre. As cirurgias programadas aumentaram 1,3% em relação a 2024.

A ministra reconheceu, contudo, um aumento do número de doentes em lista de espera para cirurgia. Apesar de terem sido realizadas mais cerca de 10.600 intervenções, as novas inscrições cresceram aproximadamente 13.668.

“Este dado não traduz menor capacidade de resposta, pelo contrário, reflete uma maior procura do sistema: mais consultas realizadas, mais diagnósticos efetuados e maior referenciação para cirurgia”, sustentou.

Ana Paula Martins apontou ainda dois picos de gripe — em janeiro e dezembro de 2025 — como fatores que comprometeram parte da atividade programada ao longo do ano.

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