Relacionados
O Presidente da República defende que Portugal “não precisa apenas de celebrar Abril”, mas sobretudo de “cumprir Abril”, sublinhando a importância da justiça social, da dignidade do trabalho e do combate às desigualdades.
Na abertura de um jantar promovido pela Associação 25 de Abril, realizado sexta-feira na Estufa Fria, em Lisboa, António José Seguro deixou um aviso claro sobre o estado da democracia: “A democracia fragiliza-se quando se normaliza a indiferença, quando se tolera a mentira, quando se desvaloriza a participação”.
Na sua intervenção, o chefe de Estado insistiu que “a liberdade não termina no dia em que se conquista”, defendendo que honrar o espírito do Revolução de 25 de Abril de 1974 implica uma escolha diária. “Honrar Abril é escolher todos os dias estar à altura do país dos nossos sonhos e que ainda está por cumprir”, afirmou.
Portugal como exemplo num mundo em tensão
Num contexto internacional marcado por conflitos e instabilidade, o Presidente da República apontou a experiência portuguesa como um exemplo relevante. Referindo-se ao fim da guerra colonial e à transição democrática, considerou que Portugal representa “um recurso” e “uma voz que o mundo precisa de ouvir, especialmente nestes momentos de escuridão”.
Evocando cenários como o Estreito de Ormuz, Gaza e a Ucrânia, António José Seguro afirmou sentir “responsabilidade” perante as gerações futuras. “A mesma responsabilidade que estes homens e mulheres sentiram há 52 anos numa madrugada de Abril, e que os fez escolher o cravo em vez da espingarda”, declarou, perante militares de Abril presentes na sala.
“A paz é uma tarefa que se renova”
O Presidente destacou ainda que a paz não deve ser vista como um legado adquirido, mas como um compromisso contínuo. “A paz não é uma herança que se guarda, é uma tarefa que se renova”, afirmou, acrescentando que o 25 de Abril demonstrou que “o impossível pode acontecer quando um povo decide não se resignar”.
O jantar contou também com a presença do antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou ao local juntamente com António José Seguro. Ambos ficaram sentados à mesma mesa, separados por Vasco Lourenço.
À chegada, nenhum dos protagonistas prestou declarações aos jornalistas, que abandonaram o espaço após as intervenções iniciais.