quarta-feira, 15 abr. 2026

Presidente alerta para novo ciclo de instabilidade global e defende reforço das Forças Armadas

Seguro traçou um retrato de um mundo em rápida transformação, apontando a fragmentação política internacional e o enfraquecimento das organizações multilaterais
Presidente alerta para novo ciclo de instabilidade global e defende reforço das Forças Armadas

O Presidente da República, António José Seguro, alertou este sábado para um “contexto internacional particularmente exigente”, marcado pela “reemergência de conflitos armados de alta intensidade”, defendendo o reforço e a modernização das Forças Armadas portuguesas sem comprometer o investimento nas áreas sociais.

Na cerimónia de apresentação das Forças Armadas ao novo chefe de Estado, realizada em Santarém, no Jardim da Liberdade, Seguro traçou um retrato de um mundo em rápida transformação, apontando a fragmentação política internacional e o enfraquecimento das organizações multilaterais.

O Presidente destacou o impacto da guerra na Ucrânia, que, segundo afirmou, alterou “de forma abrupta” a perceção da segurança coletiva, exigindo respostas mais robustas por parte dos Estados.

Neste contexto, defendeu que Portugal deve cumprir os compromissos assumidos no quadro da União Europeia e da NATO, através de maior investimento, modernização e reforço de capacidades militares.

“Vivemos num quadro dinâmico e de risco acrescido que exige das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes”, afirmou.

Defesa com impacto económico e tecnológico

António José Seguro sublinhou que o investimento na Defesa deve envolver a indústria nacional, promovendo inovação tecnológica, emprego qualificado e crescimento económico.

O chefe de Estado defendeu a criação de um “sistema de aplicação dual” que permita desenvolver capacidades com utilização tanto militar como civil, reforçando o posicionamento de Portugal em áreas tecnológicas estratégicas.

Ainda assim, frisou que este esforço deve ser equilibrado com outras prioridades: “A modernização deve ser séria e articulada com necessidades nacionais, em particular nas áreas sociais.”

Carreira militar no centro das preocupações

Uma parte significativa do discurso foi dedicada aos recursos humanos das Forças Armadas. O Presidente considerou “imperativo” tornar a carreira militar mais atrativa, garantindo estabilidade, valorização profissional e melhores condições.

“Não há Forças Armadas sem recursos humanos”, afirmou, sublinhando o papel dos militares como pilar da democracia e da soberania nacional.

O objetivo, acrescentou, passa por captar mais jovens e assegurar a retenção de quadros, reforçando a motivação interna.

Antes de abordar os temas da defesa, o Presidente evocou o simbolismo de Santarém e prestou homenagem a Salgueiro Maia, figura central do 25 de Abril de 1974, destacando a sua liderança como exemplo de “integridade e sentido de dever”.

Seguro enalteceu ainda o papel das forças portuguesas em missões internacionais, no âmbito da NATO, da União Europeia, da Organização das Nações Unidas e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, classificando-as como um “vetor fundamental da política externa portuguesa”.

O discurso surge num momento de crescente instabilidade geopolítica, reforçando o debate sobre o papel de Portugal na segurança internacional e o equilíbrio entre defesa e coesão social.