segunda-feira, 14 set. 2026

Portugal convoca embaixador russo após ataque em Leipzig. UE fala em "terrorismo patrocinado por um Estado"

Portugal vai convocar o embaixador da Rússia em Lisboa para pedir explicações sobre o alegado ataque com drones ao aeroporto de Leipzig, atribuído por Berlim aos serviços secretos russos. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, considera que o caso apresenta indícios de "terrorismo patrocinado por um Estado".
Portugal convoca embaixador russo após ataque em Leipzig. UE fala em "terrorismo patrocinado por um Estado"

Portugal vai convocar o embaixador russo em Lisboa, na sequência dos ataques híbridos atribuídos pela Alemanha a Moscovo no aeroporto de Leipzig, anunciou esta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

A decisão surge depois de o Governo alemão ter responsabilizado a Rússia por uma alegada tentativa de ataque, ocorrida em agosto, com recurso a drones e explosivos numa infraestrutura considerada estratégica para o transporte de carga e para o apoio logístico à Ucrânia.

"Hoje de manhã faremos essa convocatória. Iremos convocar o embaixador russo para dar explicações sobre este incidente", afirmou Paulo Rangel, à entrada para a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que decorre no condado de Wicklow, na Irlanda.

UE prepara resposta e Rangel antecipa reação 'muito forte'

O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que o caso de Leipzig será discutido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia e antecipou uma resposta "muito forte" ao incidente.

"Sem dúvida que a UE terá uma reação forte, como aliás já teve a Alemanha, relativamente a interesses russos que são altamente problemáticos hoje em dia no contexto europeu", afirmou.

Segundo Paulo Rangel, está em cima da mesa a possibilidade de avançar com um pacote alargado de sanções contra indivíduos e empresas, embora possam também ser discutidas outras medidas de caráter preventivo.

Entre essas medidas, o ministro apontou o reforço da segurança, da proteção cibernética e do espaço aéreo, bem como a preparação de infraestruturas críticas para eventuais ataques ou incidentes semelhantes.

O governante sublinhou ainda que alguns Estados-membros da União Europeia têm registado incidentes que são interpretados como ameaças híbridas, embora nem todos tenham uma origem claramente identificada.

Kaja Kallas fala em 'terrorismo patrocinado por um Estado'

Também a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, classificou o alegado ataque falhado em Leipzig como um caso que apresenta «todos os indícios de terrorismo patrocinado por um Estado».

'" questão é: o que fazemos em relação a isto?", afirmou Kallas antes da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

A responsável europeia revelou que Bruxelas já convocou o representante russo, à semelhança do que fizeram vários Estados-membros, e confirmou que os ministros vão discutir possíveis respostas ao incidente.

Por se tratar de uma reunião informal, não são esperadas decisões formais nesta fase.

Drones e explosivos no aeroporto de Leipzig

O Governo alemão responsabilizou na terça-feira a Rússia pela tentativa de ataque ocorrida na noite de 4 de agosto, depois de a investigação ter apontado para um alegado envolvimento dos serviços secretos russos.

Segundo as autoridades alemãs, um drone carregado com explosivos foi encontrado na zona de operações de carga do aeroporto de Leipzig, próximo de aviões de carga ucranianos.

Um segundo aparelho terá, posteriormente, atingido um avião da transportadora DHL, enquanto um terceiro drone foi encontrado, dez dias depois, num campo em Kabelsketal, no estado da Saxónia-Anhalt, junto à zona ocidental do aeroporto.

O aeroporto de Leipzig é um importante centro europeu de transporte de carga e funciona também como ponto de trânsito para o envio de ajuda militar destinada à Ucrânia.

A Rússia negou as acusações.

Explosão obriga ainda ao encerramento da estação de Augsburgo

Entretanto, as autoridades alemãs enfrentaram outro incidente de segurança, desta vez na cidade de Augsburgo, no sul do país.

A principal estação ferroviária foi encerrada depois da explosão de um objeto desconhecido numa passagem subterrânea. Durante a operação policial, foi posteriormente encontrado um segundo objeto suspeito, levando à suspensão total do tráfego ferroviário e ao encerramento do edifício da estação.

Segundo a imprensa alemã, duas pessoas sofreram ferimentos ligeiros. O jornal Bild avançou que poderá ter explodido uma granada de mão junto de uma ourivesaria turca e que a polícia investiga uma possível ligação ao crime organizado.

Polícia confirma ato deliberado em subestação elétrica

As autoridades alemãs confirmaram também que o incidente registado na terça-feira numa subestação elétrica da operadora Amprion, em Bergheim, no oeste do país, foi um ato deliberado, afastando a hipótese inicialmente considerada de uma falha técnica.

O incidente provocou perturbações na rede elétrica e levou à desativação temporária de cinco unidades de produção, com uma capacidade total de 4.200 megawatts.

Apesar do sucedido, a empresa garantiu que o fornecimento de eletricidade não foi interrompido e que a estabilidade do sistema foi mantida.

O caso ocorreu um dia depois de outro ataque contra uma instalação energética em Brandemburgo, aumentando a preocupação das autoridades alemãs com a segurança de infraestruturas críticas.