Depois do comboio de tempestades, o que está a ser feito na Figueira da Foz para construir um tempo novo, um futuro novo?
O caminho é recuperar das tempestades e prosseguir a rota. Temos trabalhado muito com os privados no levantamento do estrago nos equipamentos públicos, no espaço público e as duas equipas que constituímos têm produzido um trabalho que já foi referido como eficiente, eficaz na quantidade e qualidade. Portanto, apresentar na plataforma da Comissão de Desenvolvimento Regional e da Estrutura de Missão aquelas que são as necessidades do município – neste momento estão presentados em fundo financeiro cerca de 6 milhões de euros. Mas temos recuperado rapidamente e, agora, do que se trata é de prosseguir essa tal rota, construir a Nova Figueira, e a Nova Figueira num mundo como o de hoje é a Figueira competitiva, a Figueira da inovação, a Figueira da investigação, a Figueira do investimento. Pela sua localização estratégica, estão a chegar à Figueira cada vez mais pessoas, mais investimentos, também naturalmente mais construção. Temos uma posição liderante na execução e no aproveitamento dos fundos do PRR, quer nos 200 fogos de habitação a custos acessíveis, quer no investimento em escolas e centros de alta tecnologia, quer em centros de saúde. Estamos na rota da consolidação do Campus da Universidade de Coimbra, que este ano terá uma nova licenciatura em engenharia naval e oceânica e mais 3 mestrados – ficarão já a ser 7 os cursos que conferem graus aqui no Campo da Figueira da Foz. Isto é absolutamente extraordinário, como vai ser a formação das nossas crianças e dos nossos jovens nas novíssimas tecnologias, no que elas permitem no campo da inteligência artificial a trabalhar com a inteligência natural, com inteligência humana, no tempo da economia digital, no tempo de todos os desafios que se colocam à formação daqueles que estão a crescer e dos que já estão crescidos. Figueira, cidade competitiva para além das suas belezas e riquezas naturais.
Muito se tem discutido a questão da regionalização. No seu entender, estas catástrofes deram razão aos defensores da regionalização ou aos adversários?
O que se tem passado nas tempestades não deu razão nenhuma aos defensores da regionalização. Eu, com a minha experiência de trabalho, a experiência de vida e a experiência de exercício de cargos públicos, cada vez mais chego à conclusão que a grande força motriz de desenvolvimento, grande instituição, são os Municípios. É muito complicada a dependência de Lisboa, mas é muitíssimo complicado a dependência de outras cidades que estejam próximas e, por ventura, se tornem capitais de região ou seja o que for. Mais autonomia para os Municípios é o que é preciso.
Comparando a presidência da Câmara de Lisboa com a da Figueira da Foz, qual a mais desafiante e mais difícil? Na Figueira não teve que ‘enfrentar’ nenhum túnel do Marquês?
São trabalhos completamente diferentes, mas o fundamental quando nos propomos liderar uma câmara ou uma empresa, as diferenças é sabermos o que é que queremos fazer, se temos ou não um projeto que justifique sermos candidatos e querermos ganhar, exercer o poder só para estar sentado na cadeira ou para ir respondendo às solicitações do dia-a-dia não vale a pena, vale a pena é se se sabe o que se quer fazer. Eu soube em Lisboa, sabia Lisboa, e sei na Figueira, é evidente que o desafio da Figueira é talvez mais difícil, porque é uma grande transformação, uma grande transformação a vários títulos, mas isso demoraria muito tempo a explicar. Em Lisboa é subir o estatuto de Lisboa, enfim não vou desenvolver o tema Lisboa porque está entregue a outro, agora é preciso em cada momento saber quais são os bloqueios de uma comunidade, de uma cidade, de uma terra e ter um caminho para os resolver. Eu, antes da minha eleição em Lisboa, pus em diferentes sítios de Lisboa marcos a assinalar os compromissos daquilo que ia fazer para procurar resolver algumas dessas situações. E na Figueira não pus marcos mas todos sabem bem e difundi bem o que queria fazer e quero.
Acha que algum dia terá uma estátua na Figueira da Foz?
Não é por isso, nem para isso, que eu trabalho.
Em que medida as guerras da Ucrânia e do Médio Oriente poderão condicionar o futuro da Europa?
Para além da economia – esperemos que não da paz – a grande maioria do território da Europa tem dessas 2 guerras uma consequência evidente: a divisão entre os vários países da União Europeia. O que demonstra o peso de não haver uma política de defesa comum, que é outra face da moeda de uma política externa comum. Como se sabe, já há uma política externa tendencialmente comum, nomeadamente através da Alta Representante, mas estas últimas semanas têm demonstrado que é quase cada Estado-membro para seu lado. Portanto, esta agitação geoestratégica no mundo, naturalmente, faz sentir os seus efeitos com grandes abalos na unidade da Europa.
Tirando Sá Carneiro, quem foi o melhor líder do PPD/PSD?
Depois de Francisco Sá Carneiro, por várias razões, Aníbal Cavaco Silva. Várias razões que incluem os extraordinários resultados alcançados nas eleições e também o desenvolvimento do país.
Nos últimos tempos tem falado muito na sua passagem pela presidência do Governo. É uma mágoa que não se apaga ter sido ‘corrido’?
Tenho falado muito porque vem a propósito, normalmente porque me perguntam, comparando com realidades da situação política atual, nomeadamente com polémicas de governos e com decisões dos Presidentes da República, nomeadamente com o Presidente Marcelo.
Olhando para a noite de 18 de janeiro, não sente alguma ‘frustração’ por não ter avançado para as eleições presidenciais?
Desde a primeira volta das eleições presidenciais, que por escrito e verbalmente, muitas pessoas dizem que eu é devia ter sido candidato, que é uma pena não ter sido candidato. Pois, mas eu não podia ser candidato desde que assumi o compromisso com a Figueira da Foz. Podia não me ter recandidatado a um segundo mandato e ser candidato à Presidência da República, mas não fazia sentido, dado o quadro existente. Disse o que disse na altura, a questão foi ultrapassada, está eleito o novo Presidente e, como eu tive ocasião de dizer antes das eleições, se ganhasse António José Seguro a Presidência ficaria bem entregue, e assim continuo a pensar e espero continuar a pensar.
Que importância na sua vida tem Conceição Monteiro?
Conceição Monteiro tem enormíssima importância, pelo que representa, antes de mais por ser uma grande, enorme amiga e, como ela própria diz – e diz desde que a minha Mãe ainda era viva –, é a minha segunda Mãe. Sempre disse e continua a dizer. Depois, o que é como pessoa, o seu caráter, o que representa politicamente, pela ligação que teve a Francisco Sá Carneiro e por todo o bem que sempre me tem feito na vida, e que eu procuro retribuir. Mas ela é melhor que nós todos.
Na televisão tem elogiado a vestimenta de algumas jornalistas. Não teme ser ‘cancelado’ pela opinião pública devido ao wokismo?
Não gosto de responder a perguntas cujo sentido não compreendo..