Paulo Rangel desmente que próxima presidência da CPLP esteja decidida: "Nada está definido"

O ministro dos Negócios Estrangeiros garante que a escolha da próxima presidência rotativa da CPLP continua em discussão, contrariando o anúncio feito por Xanana Gusmão de que Timor-Leste assumirá a liderança da organização em 2027
Paulo Rangel desmente que próxima presidência da CPLP esteja decidida: "Nada está definido"

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que a próxima presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda não está decidida, contrariando o anúncio feito, no mês passado, pelo primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Em declarações à agências Lusa, o chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que a decisão terá de ser tomada por consenso entre os Estados-membros da organização.

"É uma questão que tem de ser discutida pelos chefes de Estado e de Governo", afirmou Paulo Rangel, acrescentando que o processo poderá ser preparado através de contactos entre os ministros dos Negócios Estrangeiros.

"No entanto, sinceramente, não se pode dizer que está definido", frisou.

Segundo o governante, decorrem atualmente conversações entre os Estados-membros e não existe urgência imediata na decisão.

"Tem-se procurado criar um consenso, porque tem de haver um consenso", acrescentou.

Declarações contrariam anúncio de Xanana Gusmão

As declarações de Paulo Rangel surgem depois de Xanana Gusmão ter anunciado, a 22 de junho, na sede da CPLP, em Lisboa, que Timor-Leste seria o próximo país a assumir a presidência da organização.

Na altura, o primeiro-ministro timorense justificou que a atual liderança de Timor-Leste corresponde ao período inicialmente destinado à Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau assumiu formalmente a presidência da CPLP em agosto de 2025, com mandato previsto até 2027.

Contudo, o golpe de Estado militar de 26 de novembro de 2025, ocorrido na véspera da divulgação dos resultados das eleições legislativas, levou à suspensão do país da organização lusófona em dezembro, bem como da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Na sequência dessa decisão, Timor-Leste passou a exercer a presidência da CPLP a título provisório (pro tempore).

Próxima cimeira também permanece sem local definido

A indefinição sobre quem assumirá a próxima presidência significa que continua igualmente por decidir o local da próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, agendada para julho de 2027.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa celebra este mês o seu 30.º aniversário. Fundada em 17 de julho de 1996, integra atualmente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.