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O que esperar do próximo congresso do CDS?
Espero que saia deste congresso um partido corajoso, credível e fiel à sua matriz. Um partido capaz de se renovar, de angariar novos quadros e que faça a diferença em termos de governação. E, acima de tudo, um partido que inspire os jovens, um partido do futuro. Os jovens estão fartos do wokismo, das patranhas da esquerda e dos pseudo-conflitos identitários. Os jovens aspiram a princípios, a valores, a referências, a causas pelas quais se batem.
É o momento para mostrar a vitalidade do partido e mostrar que o CDS é mais do que a coligação com o PSD?
O CDS não se esgota nem nunca se esgotou numa coligação. O CDS representa um espaço próprio de direita, diferente do PSD, que apoia. É bom dizer que o CDS e o PSD são partidos diferentes, têm origens diferentes, têm histórias diferentes e têm programas políticos diferentes. O CDS sempre se posicionou mais à direita do PSD e é assim que pretende continuar. Sou daqueles que acham que a coligação tem tudo a ganhar por ter dois partidos diferentes na sua composição que têm a responsabilidade de juntar esforços para resolver os problemas estruturais do país. O CDS foi e é um partido responsável, credível e que está absolutamente comprometido com a agenda reformista da AD, mas como partido diferente do PSD não abdicamos de apresentar as nossas iniciativas, designadamente no Parlamento, que representam a nossa matriz.
Como vê a moção da JP que diz que o CDS se tornou politicamente menos reconhecível?
O CDS é um partido plural, mas não me revejo na análise da JP, embora lhe reconheça toda a autonomia.
E em relação ao pedido da JP para que o partido se prepare para concorrer às eleições de forma autónoma?
A natureza de um partido é estar preparado para ir a eleições sozinho. A vocação de um partido é afirmar posições políticas, é defendê-las e é procurar obter a confiança dos eleitores que se revejam nessas mesmas decisões. E o CDS tem ido a eleições sozinho. Foi assim na Madeira e foi assim nas eleições autárquicas com bons resultados. Na Madeira elegeu e hoje faz parte integrante do Governo Regional da Madeira. Concorremos a dezenas e dezenas de autarquias sozinhos, aumentámos as presidências das câmaras municipais, reafirmámos e reforçámos o estatuto de 4.º maior partido autárquico português. Nesse sentido, o que a JP diz não é nada diferente do que o CDS já sabe e tem feito nos últimos tempos.
Mas o presidente do Governo e líder do PSD/Açores já afirmou que nas próximas eleições não haverá coligação pré-eleitoral com o CDS.
Era do conhecimento público que esta coligação ia até 2028 e o CDS, como partido responsável e credível, pretende mantê-la precisamente até 2028. Está focado em cumprir o programa de Governo que foi sufragado pelos eleitores açorianos e em ser parte ativa na execução do programa até essa data e, a partir de 2028, está preparadíssimo para ir a eleições sozinho, com a identidade própria, como aconteceu em 2020. Recordo que, em 2020, o CDS apresentou-se sozinho em eleições nos Açores, elegeu deputados e só depois formou coligação com o PSD. O mesmo se passou na Madeira. Em dezembro de 2025, fomos sozinhos, elegemos deputados e formámos Governo. No continente, como já disse, o CDS está comprometido com a coligação, mas não se esgota na coligação. O CDS está na coligação no Governo para reformar o país. O programa do Governo da AD e as reformas que foram já realizadas representam, em muitos casos, verdadeiras bandeiras de sempre do CDS.
Como por exemplo?
A redução da fiscalidade, a revisão das leis de imigração, o aumento das pensões mais baixas e a valorização e modernização das Forças Armadas são bandeiras de sempre do CDS. Ao nível parlamentar também temos afirmado um conjunto de causas de sempre do CDS. É o caso da ideologia de género nas escolas, das bandeiras hasteadas em edifícios públicos ou a defesa da integridade das nossas crianças, combatendo, por exemplo, as terapias hormonais para a mudança de sexo em menores. Isto mostra que o CDS continua a participar nas reformas estruturais do país e, ao mesmo tempo, tem uma capacidade de iniciativa própria.
Mas há temas ‘fechados’ e continua a defender o seu oposto, como é o caso do aborto.
A questão do aborto não consta nem do programa eleitoral nem do programa de Governo da AD e, por isso, não vejo como será possível alterar a lei do aborto nesta legislatura. No entanto, as minhas convicções pessoais como cidadão são bem conhecidas. Sou frontalmente contra o aborto livre até às 10 semanas e não é de agora. Bati-me pela vida em 1998, no primeiro referendo. Voltei a bater-me pela vida em 2007, no segundo referendo. E enquanto cidadão assim continuarei porque é uma questão de consciência pessoal, é uma questão de princípios e é uma questão de valores. O que está em causa é a vida de seres humanos e aproveito para recordar que depois de a lei ter sido aprovada foram eliminadas legalmente mais de 300 mil vidas humanas. Por outro lado, foi possível, com o voto do CDS, impedir o alargamento dos prazos da lei do aborto para as 12 e até para as 14 semanas que foi proposto pelo PS, pela extrema-esquerda e também pela Iniciativa Liberal.
Aliás, foi uma das vozes mais críticas em relação ao que se passou na Marcha pela Vida.
O que aconteceu na Marcha Pela Vida foi gravíssimo. Já foi reconhecido pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público como um ato terrorista que ameaçou a vida de famílias, de mulheres, de crianças que participaram pacificamente nessa marcha. Felizmente que a Polícia atuou bem e rapidamente e felizmente também a Justiça foi rápida, acusou e deteve o suspeito de ter cometido esse ato terrorista. Curiosamente e foi o ponto que referi, na altura, é que este ataque terrorista não provocou o sobressalto cívico que era expectável. Fiz a pergunta e reitero hoje: Se esta mesma pessoa tivesse cometido um ato terrorista, se tivesse atirado um cocktail molotov numa manifestação feminista, ou numa manifestação pelo clima ou mesmo numa manifestação trans que fosse acompanhada por deputados de esquerda e de extrema-esquerda será que o silêncio a que assistimos por parte dos setores político-mediáticos tinha acontecido da mesma forma? Seguramente que não. Estas coisas não podem ter dois pesos e duas medidas. Num caso, não pode ser considerado um crime de ódio, e, no outro caso, um mero incidente como ouvi em alguns deputados de esquerda que desvalorizaram. Foi um ato gravíssimo e deve merecer o mais elevado repúdio por parte de toda a gente, de todas as forças políticas e de toda a sociedade.
E em relação à eutanásia?
A eutanásia corresponde a uma enorme vitória do CDS. Foi o CDS que suscitou à então Provedora de Justiça que pedisse ao Tribunal Constitucional uma declaração de inconstitucionalidade da lei de eutanásia por violação grave de princípios fundamentais da nossa Constituição. A Provedora de Justiça acedeu ao pedido e o que é certo é que o Tribunal Constitucional declarou inconstitucional o corpo central da lei de eutanásia. A partir daí, como aliás referiu há pouco tempo a Ministra da Saúde, não faz sentido regular uma lei que deixou de ter existência jurídica.
Sente o apoio do PSD em relação a esses temas fraturantes?
Como já disse, o PSD e o CDS são partidos diferentes que têm identidades diferentes. Para nós, estas questões são fundamentais, o PSD tem posições diferentes em algumas matérias. Essa é que é a afirmação da identidade do CDS e é a afirmação da sua autenticidade. Há partidos que se dizem de direita, que defendem posições de direita na economia, mas depois são de esquerda nas questões de costumes e valores.
É o caso da IL?
É o caso da IL. Há outros partidos que também se dizem de direita, que defendem alguns valores de direita, mas depois defendem políticas de esquerda para a economia.
É o caso do Chega?
É o caso do Chega. Por exemplo, a condição apresentada pelo Chega no que diz respeito à aprovação da Lei de Laboral é absolutamente irresponsável e não cabe na cabeça de ninguém sobretudo quando foi apresentada sem qualquer análise de impacto orçamental ou de sustentabilidade da Segurança Social. Isto é brincar à política. Mais, fazer depender a reforma laboral de baixar a idade da reforma prova que o Chega, afinal, não está preocupado e não tem qualquer interesse em reforçar a produtividade, a competitividade e a flexibilidade da nossa economia. Diria que isto é o Chega no seu pior, ao lado dos comunistas e da restante esquerda. Recordo que o primeiro partido a propor a redução da idade da reforma foi o PCP. Agora o Chega segue as pisadas. O CDS é o único partido de direita nos valores e na economia.
O facto de o presidente do partido, Nuno Melo, exercer funções de ministro não deixa a questão da liderança um pouco ao abandono?
Penso que não. É normal que um líder que ocupe um cargo ministerial tenha de se dedicar às suas funções governativas, ao mesmo tempo que se dedica às suas funções de presidente do partido. Isso acontece em todos os partidos, evidentemente que tem de haver uma capacidade de acumular essas funções, e no caso do CDS essa função tem sido cumprida.
A ideia de ter um presidente interino nunca foi posta em cima da mesa?
O partido tem um conjunto de porta-vozes que têm exercido as suas funções dentro do que tem sido pedido pelo presidente do partido. O CDS não tem propriamente essa tradição de ter alguém que lidere o partido quando o presidente está no Governo. Não aconteceu assim com Freitas do Amaral, nem com Paulo Portas e não acontece assim com Nuno Melo.
Tudo indica que Nuno Melo irá recandidatar-se à liderança.
Sim, seguramente.
Nuno Correia da Silva já anunciou a sua candidatura.
O CDS é um partido plural e é bom que haja várias candidaturas a representar várias visões para o partido e para o país. Vou apoiar Nuno Melo como o apoiei desde a primeira hora que se disponibilizou para ser presidente do CDS. O partido tem uma enorme dívida de gratidão a Nuno Melo porque foi por causa da sua coragem e da sua determinação e sob a sua liderança que o CDS regressou ao seu lugar de sempre e integra hoje o décimo Governo constitucional da sua história. Espero que o congresso também sirva para reconhecer o papel fundamental que Nuno Melo teve no CDS nesta fase.
Nessa altura, já muitos falavam na morte do partido.
O CDS tem mais de 50 anos de história e há pessoas, designadamente de esquerda, que há 50 anos que estão a prever o fim do CDS. Cá estamos e bem vivos.
Nunca ponderou candidatar-se?
Esse é um cenário que não se coloca.
O partido assistiu à saída de uma série de militantes. Essa sangria já terminou?
O CDS hoje está numa fase muito melhor do que já esteve no passado. É bom recordar que o CDS regressou ao seu espaço de sempre.
Mas continua a ser alvo de críticas por parte de alguns ex-militantes e ex-dirigentes.
Mesmo antes de ser líder parlamentar já algumas dessas figuras estavam a caminho do socialismo. São críticas que não me surpreendem. O inimigo político do CDS é o PS e o inimigo ideológico do CDS é o socialismo. Ainda recentemente comemorámos os 50 anos da Constituição, e, no caso do CDS, comemorámos o voto contra a Constituição de 76 e foi um voto corajoso, patriótico e que definiu a identidade do CDS. Um partido personalista, adversário do socialismo e profundamente crente do valor da liberdade. E esta é a verdadeira identidade do CDS e, por isso, o CDS está onde sempre esteve. Essas figuras é que se estão a afastar do CDS a caminho do socialismo.
Há quem defenda a ideia de que o CDS está radicalizado.
De forma nenhuma. Olho para o CDS ainda como partido de Adelino Amaro da Costa. É um partido de valores.
Em relação à reforma laboral disse recentemente que a discussão não se podia eternizar. Como viu este impasse?
Nesta matéria sou muito pragmático. O CDS sempre deu uma enorme importância à concertação social. Teremos de tirar as conclusões e ver quem está do lado da flexibilização e da modernização da legislação liberal e os que querem que tudo fique na mesma.
Mas há quem diga que esta reforma não estava no programa eleitoral.
Os princípios fundamentais estavam no programa eleitoral, aliás, o CDS participou ativamente na sua elaboração. Depois o programa do Governo, naturalmente, veio detalhar com maior pormenor a reforma que se pretendia. Para o CDS, a reforma eleitoral é fundamental para o futuro do país e para a modernização do país. Recentemente, a OCDE publicou um estudo que demonstra que Portugal tem a segunda legislação laboral mais rígida da Europa e essa rigidez prejudica a produtividade, a competitividade e o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. E isso explica, de alguma forma, o facto de os jovens terem uma taxa de desemprego ainda muitíssimo elevada, a rondar os 20%. Esta reforma eleitoral é fundamental para melhorarmos a produtividade, a competitividade e para retermos talento em Portugal, evitando a imigração massiva de jovens, como aconteceu nos governos socialistas. A reforma passará para o Parlamento e o CDS, nessa altura, será um elemento ativo no sentido de a aprovar.
Em relação ao PTRR. Como vê as críticas em relação ao programa?
O PTRR é um documento que agrega um conjunto de medidas e de reformas fundamentais para o país, integrando-se no espírito e no ímpeto reformista que marca a governação da AD. E sobre essa matéria há dois pontos relevantes. Primeiro, o PTRR não se reduz à administração pública ou ao Estado, ao contrário do que aconteceu no PRR que foi elaborado pelo Governo Socialista. Pelo contrário, o PRR é um plano que abrange não só o Estado, mas também a sociedade e as empresas. Segundo, resultado dessa maior abrangência, o PTRR depende não só de fundos públicos e de fundos europeus, mas também de fundos privados, o que lhe dá também outra natureza. Agora, há um ponto muito importante e que tem a ver com a reação das oposições. As oposições passam a vida a exigir reformas e a exigir medidas para reformar o país, quando o Governo apresenta planos que incluem um conjunto de reformas fundamentais para recuperar das intempéries e das calamidades que sofremos e tornar o país mais preparado para responder a calamidades no futuro, Aqui d´el rei que o plano não serve para nada. A pergunta que faço é de que serve exigir reformas se depois as oposições estão sempre do lado do imobilismo. De que serve exigir reformas se as oposições querem sempre que tudo fique na mesma?
Falou no PRR. Como vê os alertas em relação ao risco de poder não ser executado a 100%?
O Governo tem dito que tudo está a ser feito para que o PRR seja executado na sua plenitude e acredito nisso. No entanto, é importante fazer a história do PRR. Em primeiro lugar, foi mal desenhado, pois foi muito dirigido para o Estado e para a administração pública e não para o país como um todo, ao contrário, por exemplo, do que aconteceu na Grécia, em que o PRR foi mais virado para a sociedade e para as empresas. Por outro lado, é importante referir que, quando recebemos o PRR, a execução era apenas de 19%, neste momento, é de cerca de 60%. Ou seja, em três anos, o PS apenas executou 19% e o Governo da AD executou em dois anos o restante. Estou convencido que tudo está a ser feito para o plano ser executado e o Governo já mostrou essa capacidade de execução, não só aqui como em outras reformas que tem introduzido. Estamos neste momento como um dos países da União Europeia que melhor tem executado o PRR e estávamos nos últimos.
Em relação à Lei da Nacionalidade. O Presidente da República aprovou mas lamentou que não tenha havido maior consenso.
Não deixo de saudar a decisão do Presidente da República de ter promulgado a Lei da Nacionalidade porque é uma lei fundamental. A nacionalidade é talvez o valor mais importante que o Estado pode atribuir a uma pessoa e como sempre dissemos para que alguém seja nacional de uma nação que está prestes a fazer 900 anos de história tem de ter uma identidade muito próxima a Portugal. Tem de partilhar os nossos valores fundamentais, de conhecer a língua e a cultura e, por isso, era fundamental que houvesse um conjunto de alterações à Lei da Nacionalidade para lhe dar uma maior dignidade. O Governo e esta maioria, constituída pelo PSD e pelo CDS, tudo fez para obter esses consensos, o problema é que o Partido Socialista e o resto da esquerda continua com consciência pesada relativamente aos erros que cometeram no passado quando abriram as portas à imigração. Ainda assim, recordo que foi possível alterar matérias essenciais para ir ao encontro da posição do Tribunal Constitucional, o Presidente da República promulgou e não levantou novamente questões de constitucionalidade, dando-as como resolvidas. O importante é que vamos ter uma Lei da Nacionalidade mais restrita e que dignifica a nacionalidade portuguesa, numa altura, em que esta Nação está prestes a comemorar 900 anos de história.
António José Seguro já afirmou que quer evitar crises e eleições constantes para evitar um cenário de instabilidade.
Ainda é muito cedo para fazer uma análise do seu mandato mas há, pelo menos, três sinais positivos. O primeiro, logo no seu discurso de tomada de posse quando disse que Portugal precisava de três anos e meio sem ir a eleições, apelando à estabilidade política. O segundo, a propósito da reforma laboral quando apelou aos parceiros para voltarem à mesa de negociações para negociarem. O terceiro é este de promulgação da Lei da Nacionalidade.
Mas não havendo uma maioria parlamentar há sempre questões mais difíceis de aprovar. A ida de Mário Centeno ao Parlamento foi aprovada por unanimidade, mas nem sempre é assim.
Foi o CDS que liderou essas audições e foi agora novamente aprovada a audição de Mário Centeno porque há muitas questões por esclarecer. A questão da reforma é absolutamente escandalosa. Alguém que durante toda a sua vida pública criticou reformas antecipadas, afinal veio a beneficiar de uma reforma antecipada, com contornos ainda muito pouco transparentes. Além disso, é preciso esclarecer a questão do negócio da construção da nova sede do Banco de Portugal. O CDS, em junho do ano passado, requereu a audição urgente de Mário Centeno para vir prestar declarações ao país e pediu um conjunto de documentação que fundamentou essa mesma operação. Infelizmente, quando Mário Centeno foi ouvido, pela primeira vez em setembro, a documentação não foi enviada. A documentação só chegou ao Parlamento em dezembro e depois de termos analisado toda essa documentação entendemos, novamente, chamar Mário Centeno para prestar os devidos esclarecimentos. Há muitas questões que estão ainda por esclarecer, envolvendo dinheiros públicos e envolvendo uma entidade como o Banco de Portugal. Mário Centeno foi ou representou um exemplo negativo, enquanto governador do Banco de Portugal. Um exemplo negativo em que, de alguma forma, não manteve a independência do Banco Central, pelo contrário, deixou muitas vezes que o Banco Central interviesse em matérias, designadamente em matérias governativas e em matérias políticas que o Banco de Portugal não deveria fazer.
Por questões ideológicas?
Há aspetos que estão por esclarecer que são as previsões absolutamente descontextualizadas da realidade não só sobre as finanças públicas, mas também sobre o crescimento económico do país. O Banco de Portugal, tendo em conta todos os instrumentos, todos os modelos, todos os especialistas que tem a trabalhar, em setembro de 2025, previu um défice orçamental quando o país, três meses depois, registou um excedente de 0,7%. Como é possível que isso tenha acontecido? Como é possível que o erro do Banco de Portugal tenha sido tão grande? A diferença entre a previsão e o resultado final foi superior a dois mil milhões de euros. Isto nunca tinha acontecido.
E como vê os reforços de investimentos feitos por Álvaro Santos Ferreira em ações de determinadas empresas?
Mostra falta de bom senso porque são conhecidas as limitações que um governador de um banco central, de um país membro da União Europeia, tem em matéria de investimentos pessoais. Admito que possa ter sido algo que não foi devidamente ponderado, mas pelas notícias vi que foi corrigido de imediato.