quarta-feira, 15 abr. 2026

Paulo Núncio e João Costa em guerra aberta

Líder parlamentar do CDS-PP não gostou das críticas do ex-ministro e repudia as suas decisões como governante.
Paulo Núncio e João Costa em guerra aberta

O verniz estalou entre Paulo Núncio, líder da bancada parlamentar do CDS, e João Costa, ex-ministro da Educação. Em causa estão os três projetos-lei aprovados pelo PSD, Chega e CDS-PP para alterar a lei da identidade de género.

João Costa, ex-ministro da Educação, apressou-se a escrever um artigo de opinião no Expresso, com o título ‘Paulo Núncio é trans’, onde defende que «a reversão da lei de identidade de género é uma flagrante violação dos direitos humanos».

O texto conta com críticas a Paulo Núncio, que já respondeu. Ao Nascer do SOL, o líder parlamentar atira que João Costa «foi um governante cuja manifesta incompetência levou a greves semanais e ao desenterrar de um machado de guerra que deixou centenas de milhares de famílias com filhos sem escola, sem aulas e com piores aprendizagens». E vai mais longe, ao dizer que o ex-ministro foi «um governante responsável por um dos maiores ataques à liberdade de educação de que há memória em Portugal. Foi um dos agentes da guerra político-ideológica contra o ensino particular e cooperativo, que tentou condenar o ensino não-estatal à morte por asfixia financeira», acrescentando que «escolheu para chefe de gabinete um ativista conhecido por ter afirmado convictamente que ‘o papel das escolas é retirar os alunos das famílias e fazer com que façam um crescimento em comunidade’».

Paulo Núncio acusa ainda João costa de ter criado uma disciplina obrigatória «que impunha os seus dogmas radicais e sectários para que mais ninguém se pudesse atrever a divergir da cartilha woke – porque quem o fizesse, escolheria entre uma visita da polícia, de um oficial de justiça ou de uma CPCJ. E, não satisfeito, abusou do seu poder para tomar medidas diretas e direcionadas para punir uma família condenada sumariamente por resistência cívica e delito de opinião».

Núncio diz não ter dúvidas: «Este é o triste legado de João Costa no Ministério da Educação. O exemplo acabado de uma pessoa para quem as obsessões ideológicas valeram sempre mais do que a realidade. Sem considerações, sem explicações e, sobretudo, sem justificações».

Por isso, diz ser «expectável que a vitória da realidade e do bom-senso – com o fim das terapias hormonais para mudança de sexo em crianças – provoque em João Costa tamanhas contorções».

Quanto à reação «visceral» de João Costa à proposta do CDS, «para impedir intervenções farmacológicas com consequências gravíssimas e irreversíveis em crianças, diz muito mais de quem a tem, do que de quem a provoca».

E coloca ainda em causa o cargo já exercido. «Como é que João Costa pôde ter sido Ministro da Educação? A resposta é tão simples como assustadora: porque durante a governação socialista o wokismo atingiu delírios inimagináveis».

 

O que disse João Costa

No artigo mencionado, João Costa diz que «o PSD colocou-se ao lado da direita mais perigosa» e que Paulo Núncio «personificou, na Assembleia da República, e nas declarações posteriores, todo o ódio associado a este retrocesso civilizacional. Diz que combate o ‘wokismo’. Vale a pena lembrar que nunca explica muito bem o que isso é (e curiosamente poucos lho perguntam)».

«Chegamos, em 2026, ao ponto em que defender direitos humanos fundamentais que, nas últimas décadas, uniram pessoas de esquerda, direita, crentes e não crentes [...] se encontra reduzido à graçola do wokismo. Já agora, ficava bem a Paulo Núncio, e a todos os que consigo votaram, estudar um pouco e saber a origem do termo», diz. E explica: «Vem da visibilidade e afirmação dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, nos anos 30 do século passado. Esses mesmos, que precisaram de dar a vida para ver direitos que ainda hoje lhes são negados, esses a quem era recusado o lugar na escola ao lado dos brancos, que eram escravizados mesmo quando, teoricamente, a escravatura já tinha sido abolida. Dizer que combate o wokismo é, na verdade, dizer que combate os direitos humanos e a liberdade que alguns ainda procuram para simplesmente serem quem são».