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Uma publicação do partido Chega nas redes sociais, divulgada a 4 de fevereiro, gerou polémica após ser acusada de recorrer a manipulação digital para intensificar visualmente a chuva num vídeo de campanha de André Ventura. A Agência Lusa explicou esta segunda-feira que, após análise das imagens e das justificações do gabinete de comunicação do partido, chegou a uma conclusão: o vídeo foi manipulado.
A controvérsia foi levantada pela advogada Inês Rogeiro, que, numa mensagem publicada no Instagram, afirmou ser “óbvio” que no vídeo do partido “puseram um filtro de chuva para parecer que estava a chover mais”, sobretudo quando comparado com registos do mesmo momento feitos por outras pessoas. No vídeo, que rapidamente se tornou viral, questionou se seria “a única” a notar a alegada alteração das imagens.
Em causa está um conteúdo partilhado pelo Chega nas redes sociais em resposta a um comentário feito por Maria Castelo Branco na RTP Notícias, relacionado com declarações de André Ventura sobre estar sob “chuva torrencial” durante uma ação de campanha. Na publicação, o partido juntou imagens dessa intervenção televisiva com um vídeo gravado a 30 de janeiro, em Espinho, onde o candidato surge a transportar bens destinados às vítimas da tempestade Kristin.
Uma análise levada a cabo pela Lusa comparou as imagens originais com a versão divulgada dias depois e concluiu que houve alterações visuais. Segundo a agência, embora estivesse a chover no momento da gravação, foram adicionados elementos digitais que simulam uma precipitação mais intensa. A verificação identificou artefactos verticais e padrões repetidos que não correspondem ao comportamento natural da chuva, além de diferenças visíveis entre os dois registos.
Perante as conclusões, o Chega negou qualquer manipulação. Em resposta, o partido garantiu que “o vídeo em causa foi integralmente produzido sem recurso a qualquer ferramenta ou tecnologia de inteligência artificial”. Numa segunda reação, manteve a posição, defendendo que “não subsistem dúvidas sobre a veracidade do material divulgado”.
No entanto, os próprios vídeos originais enviados pelo partido não apresentavam os efeitos visuais visíveis na publicação de 4 de fevereiro, reforçando a tese de edição posterior.
Este episódio não é isolado. No mesmo período, André Ventura partilhou uma imagem de uma jovem a criticar a ausência de ajuda internacional a Portugal. Várias ferramentas classificaram como provavelmente gerada ou manipulada por inteligência artificial - no entanto não foi assinalada como tal.