quarta-feira, 13 mai. 2026

Parlamento vai ouvir governador do Banco de Portugal sobre compra de ações

O código de conduta aplicável aos responsáveis dos bancos centrais da zona euro não proíbe totalmente a compra de ações, mas impõe restrições para evitar conflitos de interesse
Parlamento vai ouvir governador do Banco de Portugal sobre compra de ações

A Assembleia da República aprovou esta quarta-feira a audição do governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, para prestar esclarecimentos sobre a compra de ações de várias empresas já durante o exercício de funções.

O requerimento, apresentado pelo Chega, foi aprovado por unanimidade na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, com o apoio de PSD, CDS-PP, IL e PS.

Em causa estão aquisições de títulos de empresas como Jerónimo Martins, Galp Energia, Nestlé e The Navigator Company, realizadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, já depois de Santos Pereira ter assumido o cargo de governador.

O caso ganhou relevância após o Banco Central Europeu (BCE) ter analisado a situação e determinado que o responsável deveria alienar os títulos, por considerar que, mesmo tratando-se de empresas não supervisionadas diretamente pelo Banco de Portugal, a sua aquisição não era compatível com as regras éticas aplicáveis.

O governador cumpriu essa orientação e concluiu o processo de venda das ações, tendo também decidido doar as mais-valias obtidas a uma instituição de responsabilidade social.

Partidos pedem esclarecimentos

Durante o debate, os partidos sublinharam a necessidade de transparência e de preservação da credibilidade da instituição.

O deputado do Chega Eduardo Teixeira defendeu que, “pela delicadeza da questão”, o parlamento é o local adequado para o esclarecimento público, frisando que não está em causa um julgamento político, mas sim a clarificação dos factos.

Já o PSD apelou a que a audição decorra com “respeito e elevação”, enquanto o PS, embora favorável, levantou dúvidas sobre se a Assembleia da República é a instância adequada para escrutinar matérias já avaliadas pelo BCE.

A Iniciativa Liberal considerou relevante ouvir o governador, apesar dos esclarecimentos já prestados, e o CDS - Partido Popular destacou a importância de salvaguardar a reputação do Banco de Portugal.

Regras permitem mas limitam investimentos

O código de conduta aplicável aos responsáveis dos bancos centrais da zona euro não proíbe totalmente a compra de ações, mas impõe restrições para evitar conflitos de interesse.

Santos Pereira garantiu ter comunicado todas as operações ao BCE e à Entidade para a Transparência, no âmbito das obrigações declarativas, mas o comité de ética europeu acabou por determinar a sua incompatibilidade.

A data da audição parlamentar deverá agora ser agendada.