quarta-feira, 09 set. 2026

Os reforços de Luís Neves

O ministro diz que vai colocar mais polícias na Baixa, BrunoPereira responde que Luís Neves deve ter o dom de Jesus Cristo.
Os reforços de Luís Neves

O ministro da Administração Interna foi lesto a anunciar reforços policiais para a zona da Baixa, contrastando com o seu comportamento enquanto diretor da PJ, quando assumia que Lisboa era uma cidade bem segura. Na altura, Neves tinha em Carlos Moedas um ‘adversário’, agora, supostamente, são aliados. E digo supostamente, pois as agendas dos dois nem sempre são coincidentes.

Mas vejamos o que escreveu o gabinete do ministro na terça-feira, numa nota que tinha o sugestivo título:‘Reforçada resposta policial nas zonas de maior concentração turística de Lisboa’. Veremos mais à frente que, afinal, o reforço já é antigo. «Na sequência da ocorrência registada na segunda-feira na Baixa de Lisboa, da qual resultou uma pessoa ferida por disparo de arma de fogo, o Ministro da Administração Interna manteve contactos com a Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A rápida identificação e detenção pela PSP de um dos alegados envolvidos constitui um resultado importante da atuação policial. Prosseguem as diligências destinadas ao integral esclarecimento dos factos e ao apuramento de todas as responsabilidades, estando a investigação a cargo da Polícia Judiciária». Como é óbvio, a antiga equipa de Luís Neves não ficou muito contente em ver o antigo chefe a defender a ingerência no caso da PSP. 

«Desde junho que a PSP reforçou a presença e a visibilidade policial na Baixa e noutras zonas de elevada concentração turística de Lisboa, designadamente através de elementos do Corpo de Intervenção. Esta maior presença no terreno contribuiu também para uma resposta mais rápida à ocorrência registada na segunda-feira. Este dispositivo será mantido e ajustado em função da avaliação permanente da situação, dos locais, horários e fenómenos criminais identificados, garantindo uma presença policial visível e capacidade de intervenção nas zonas de maior concentração de residentes e turistas».

E o que pensa o Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) desta declaração do ministro? «Parece-me de muito mau tom, porque me parece que há claramente aqui uma ingerência, uma confusão de esferas entre aquilo que é o papel do ministro e aquilo que é o papel do diretor nacional da PSP e, em particular, do Comandante Metropolitano de Lisboa. E pergunto, se ele, enquanto diretor nacional da PJ, gostaria que fosse a ministra da Justiça a interferir e a ditar estratégias e decisões táticas sobre alegados reforços, alegadas mudanças de metodologia, alegadas medidas securitárias adotadas na sequência de aquilo que aparentemente terá sido um caso isolado», dispara BrunoPereira.

O líder sindical não poupa nas palavras: «Terei de condenar aquilo que é um excesso por parte do ministro, típico de quem efetivamente tem repentismos e claramente acha que pode dizer o que cabe a outros dizer». BrunoPereira depois recorda as promessas do primeiro-ministro, com a complacência de Luís Neves, de enviar 180 elementos da PSP para as câmaras de Lisboa e Porto e de reforçar os dois principais comandos da PSP com mais 400 homens. Como é sabido, nada disso aconteceu, daí a ‘nova’ suposta amizade entre Neves e Moedas não estar a correr pelo melhor. Bruno lamenta ainda que o ministro não tenha dado seguimento às sugestões da direção nacional de «mitigar aquilo que é a incapacidade já estrutural destes grandes comandos», como seja o «caso do encerramento de esquadras, o atendimento rotativo, entre outras», para colocar mais polícias a patrulharem as ruas. «Sem estas e outras medidas torna-se difícil, a não ser que o senhor ministro tenha a capacidade, como Jesus Cristo teve, para um milagre da multiplicação e que consiga fazer de um polícia dez».