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António José Seguro vai percorrer 200 quilómetros por dia no percurso Caldas da Rainha-Lisboa-Caldas da Rainha. Mil por semana de trabalho. 44 mil por ano. 220 mil ao longo do mandato de cinco anos. É esta a pegada que vai deixar o Presidente da República por continuar a viver nas Caldas da Rainha, abdicando da residência oficial do chefe de Estado, no Palácio de Belém, em Lisboa, anúncio feito muito antes de ser eleito.
A distância entre os dois locais, através da auto estrada A8, ronda os 100 quilómetros em cada trajeto. Os valores encontraram-se multiplicando 200 quilómetros por 220 dias úteis de cada ano civil, excluindo fins de semana, feriados e férias.
Belém, enquanto residência oficial do Presidente, foi ao longo dos anos o gabinete de trabalho diário dos anteriores chefes de Estado e assim continuará a ser com António José Seguro.
Mas esta opção do Presidente em manter a residência nas Caldas da Rainha tem outras implicações. Além dos 200 quilómetros percorridos e das duas horas diárias consumidas nos dois trajetos, a viatura oficial do Presidente acaba por duplicar esses valores. Vai ter de realizar quatro viagens diárias. Ida e volta para apanhar o Presidente. Cenário que volta a repetir-se para deixar Seguro em casa.
Tudo somado, estima-se que a viatura oficial do Presidente pode percorrer 88 mil quilómetros por ano. 400 por dia, dois mil por semana, 440 mil por cinco anos de mandato. Isto, claro, se o Presidente passar pelo gabinete de Belém todos os 220 dias úteis que um ano dispõe, aproximadamente.
Mas, nas deslocações naquele trajeto, o carro oficial do chefe de Estado tem sempre de ser acompanhado, no mínimo, por um veículo de proteção, sob a responsabilidade do Corpo de Segurança Pessoal da PSP.
Assim, esse carro tem igualmente de fazer os quatro trajetos diários entre os dois locais, para cumprir as obrigações de segurança aplicáveis às principais figuras do Estado.
Em conjunto, estas duas viaturas podem vir a fazer oito viagens por dia, numa distância a rondar os 800 quilómetros. Um total de 176 mil quilómetros por ano, 880 mil ao longo do mandato.
Como referido acima, o trajeto preferencial entre os dois locais, por razões de segurança e comodidade, deve acontecer através da auto-estrada A8. O valor da portagem aplicada para cada um dos sentidos é de 5,65 euros. Multiplicado por oito viagens (quatro para cada um dos carros), o total diário em portagens atinge os 45,2 euros. 9.944 euros por ano, 49.720 euros em cinco anos (fora eventuais atualizações de preços).
Mulher ‘paga’ a conta
A isto há que juntar os gastos em combustíveis. De acordo com informação a que o Nascer do SOL teve acesso, o Presidente desloca-se num Mercedes Classe E e a equipa de segurança viaja num BMW M340d ou num Audi A4.
A título de exemplo, o consumo estimado do veículo da marca BMW ronda os seis litros por 100 quilómetros percorridos. Os 400 quilómetros diários apontam assim para um consumo médio próximo dos 24 litros de combustível, 48 euros aos preços atuais. 10.560 euros num ano. 52.800 euros em cinco anos.
Aplicando-se por defeito valores semelhantes para o consumo do Mercedes Classe E oficial, o valor total de custos diários em combustível atinge os 96 euros. 21.120 euros por ano e 105.600 euros no mandato.
Por último, há ainda a situação de Margarida Maldonado Freitas, mulher do Presidente da República, que passou a deter o estatuto de primeira-dama. Farmacêutica de formação, Margarida Maldonado Freitas tem estado ligada ao negócio de farmácias que a família detém nas Caldas da Rainha.
Margarida Maldonado Freitas fez igualmente saber que vai manter a ligação profissional ao setor e continuar, assim, a estar diariamente nas Caldas da Rainha, exceto por razões de agenda oficial.
Conclusão: mesmo que António José Seguro tivesse optado por viver com a família em Belém, as deslocações diárias de Margarida Maldonado Freitas às Caldas da Rainha obrigavam, por razões de segurança, à mobilização permanente de dois carros oficiais. Um para uso da primeira dama e outro associado à segurança pessoal.
Concluindo: os custos e os números da operação não deveriam divergir substancialmente dos derivados da escolha do recém-empossado Presidente da República.