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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve esta semana em Berlim com o chanceler Friedrich Merz, num encontro que teve como objetivo reforçar o diálogo político e as relações económicas com a Alemanha. O Nascer do SOL sabe que a vontade de agendar a reunião bilateral era partilhada por ambas as capitais há algum tempo e foi possível agendá-la num curto espaço de tempo.
Ao que o nosso jornal apurou, a combinação de uma reunião bilateral foi iniciativa do próprio chanceler alemão, que não apenas pretendia receber o seu homólogo em Berlim, como fazia questão de associar essa visita a um resultado concreto, com potencial futuro. O Nascer do SOL sabe que isso deu um sinal claro por parte de Berlim no que diz respeito à sua vontade de aprofundar o relacionamento com Portugal, o que levou Luís Montenegro a apostar num discurso assente no processo de transformação de Portugal, permitindo apresentar as vantagens comparativas do país para os investidores alemães.
A par dos números que já são conhecidos em relação ao investimento alemão em Portugal, o primeiro-ministro quis chamar a atenção para o caminho que poderá ser seguido no futuro, tendo em conta que a Alemanha se vê a braços com custos crescentes de energia, quando as circunstâncias do relacionamento europeu com a China a obrigam a procurar outros mercados e quando as suas empresas precisam de mão-de-obra altamente qualificada e competitiva, acenando que Portugal é o país em que vale a pena apostar.
Aliás, essa oportunidade foi reconhecida pelo chanceler Merz, quer em público, quer em privado, e as reuniões paralelas que o ministro da Economia manteve em Berlim foram marcadas pela manifestação dessa vontade das empresas alemães em apostar em Portugal. Também o papel político de Portugal na aprovação do acordo com o Mercosul é há muito valorizado em Berlim e Friedrich Merz assinalou que a Alemanha deve aproveitar o conhecimento e a experiência de Portugal naquela zona do mundo para aproveitar em pleno das oportunidades daquele acordo.
A reunião decorreu num ambiente de grande proximidade, permitindo abordar assuntos mais sensíveis, que são normalmente reservados para contactos diretos entre líderes, como a privatização da TAP. Montenegro aproveitou ainda para sensibilizar o chanceler alemão para questões essenciais no plano europeu e transatlântico, como o próximo quadro financeiro da UE e a preparação da Cimeira da NATO. E os sinais que recolheu foram positivos – Berlim é sensível às preocupações portuguesas.