O descontentamento com a presidente do Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, está a motivar a preparação de listas alternativas, tanto para o Conselho Nacional como para a Comissão Executiva, embora as decisões finais só devam ser conhecidas nos próximos meses, apurou o SOL. Para já, começam a surgir plataformas internas de reflexão e mobilização que deverão ganhar expressão pública entre setembro e outubro, numa altura em que a disputa interna deverá entrar numa nova fase. «Embora ainda numa fase embrionária, a expectativa é que essas iniciativas ganhem forma a partir de setembro ou outubro, altura em que poderão ser apresentadas publicamente e contribuir para reorganizar o debate interno na Iniciativa Liberal», revelam fontes ouvidas pelo SOL.
O nosso jornal sabe que estes movimentos ganharam maiores contornos após o último Conselho Nacional do partido.
Segundo as mesmas fontes, os trabalhos de organização já estão em curso com o objetivo de reunir equipas e estruturar candidaturas. «Há manifestamente um descontentamento com o trabalho de Mariana Leitão. Já passou um ano e não há grandes provas de vida», afirmam. E as críticas não ficam por aqui. A liderança de Mariana Leitão é descrita como pouco mobilizadora, com um partido «apagado» e sem protagonismo no panorama político nacional. «Há um clima de letargia total. O partido está muito apagado e não é minimamente relevante», salientam.
De acordo com as mesmas fontes é dado praticamente como certo que surgirá, pelo menos, uma lista alternativa à de Mariana Leitão, admitindo mesmo a possibilidade de existirem duas candidaturas concorrentes. No entanto, também admitem que num eventual cenário de existir mais do que uma candidatura de oposição o ato eleitoral será mais dividido.
Para já, é dado como certo, mesmo pelo oposição interna, que Mariana Leitão deverá recandidatar-se a novo mandato. Mas, no caso de decidir não se recandidatar, o nome mais apontado para uma sucessão interna é o de Mário Amorim Lopes, uma vez que é visto como «sucessor natural». Ainda assim, as mesmas fontes consideram improvável este cenário, defendendo que, se o deputado tivesse ambições de liderar o partido, já teria avançado nas últimas eleições.
Ao que o SOL apurou, a atividade do ex-presidente Rui Rocha nas redes sociais também desperta atenção, mantendo-se por esclarecer qual poderá ser o seu papel no futuro.
O que é certo é que começam a surgir plataformas internas de reflexão e mobilização.
Recorde-se que Mariana Leitão foi eleita líder do partido em julho de 2025, após a demissão de Rui Rocha, com a justificação de o partido náo ter atingido «a preponderância que todos desejavam» nas legislativas de maio de 2025, altura em que conseguiu eleger nove deputados, mais um do que nas eleições anteriores, em 2024.
A última prova de fogo do partido foi nas eleições presidenciais, mas também é certo que o resultado de 16% de João Cotrim de Figueiredo, conquistando 902.591 votos, ultrapassou em muito os resultados que têm sido alcançados pela Iniciativa Liberal. Valores que são bastante distantes dos alcançados pelo partido nas últimas legislativas, em que se ficou por bem mais modestos 5,36 % dos votos (338.664), a que se juntou umas autárquicas, onde concorreu em coligações com o PSD nas principais cidades.