Nuno Piteira Lopes. "Quinta do Lago é aquela parte parecida com a Quinta da Marinha?"

Quer deixar Cascais melhor do que estava, não pensa usar a sua experiência de ‘pugilista’ em ninguém, mas se abrir um restaurante não quer Isaltino como sócio, pois acha que este poderia dar ‘prejuízo à casa’.
Nuno Piteira Lopes. "Quinta do Lago é aquela parte parecida com a Quinta da Marinha?"

Falou, antes das eleições, em pedir ao Governo a constituição de uma equipa que englobe elementos da PJ, Tribunal de Contas e Inspeção-Geral de Contas, para combater a corrupção. Há algum avanço nessa intenção?

Falei e vou continuar a falar, porque considero ser uma medida essencial para fortalecer a relação de confiança entre eleitos e eleitores. E é uma medida essencial para garantirmos uma transparência total no processo de decisão. A alternativa é continuarmos a viver neste ambiente, pouco saudável, de suspeita permanente em que a denúncia anónima é um instrumento de campanha. As intenções em Cascais passam à prática, temos uma Direção Municipal dedicada à Transparência dos processos de decisão e informação. Espero que os passos que damos aqui sirvam de inspiração ao Governo central. 

A Linha da CP que ‘serve’ Cascais é um péssimo cartão de visita para Cascais, Oeiras e Lisboa, se atendermos ao estado das estações, bem como das composições. Para quando prevê que o acordo entre si, Isaltino Morais e Carlos Moedas ‘entre’ em vigor?

Temos insistido que a única solução para a linha da CP é a sua subconcessão às autarquias – à semelhança do que acontece com outros transportes públicos. O Governo deu passos nesse sentido e agora estamos dependentes da publicação das condições formais para o concurso. Mas que fique claro: somos candidatos. E vamos para ganhar.

Isaltino Morais chegou a fazer um vídeo a ridicularizar a sua intenção. Como ultrapassaram as divergências? 

É um daqueles casos em que Cascais andou mais depressa que os restantes. Não sou pessoa de ficar a ver o comboio passar. Estarei sempre na linha da frente, a defender os interesses de Cascais.

Carlos Carreiras deixou uma marca nos transportes, saúde e educação do concelho. Qual a marca que quer deixar? 

A tradição aqui é deixar Cascais melhor do que estava. Em todos as áreas. E, nesse sentido, sou um tradicionalista.  

Ainda pensa cumprir três mandatos? 

Mais do que a figura do Presidente interessa o projeto e a capacidade de projetar e executar uma visão de Cascais para mais de uma década. E essa é uma capacidade rara num país que pensa sempre tudo para a semana seguinte, um ano ou um ciclo eleitoral. Ficarei muito feliz se puder ser útil nesse projeto. 

Qual a maior fonte de rendimento da Câmara?

O trabalho de quem cá vive. 

Acha que foi prejudicado nas eleições por o seu nome Piteira não ter dois ‘t’, como chegou a dizer? 

Nas próximas eleições terão mais um T de Trabalho feito para avaliar.

Também disse que espera abrir um restaurante quando deixar a vida autárquica. Isaltino poderá ser um bom sócio? 

Isaltino seria perfeito na promoção, mas suspeito que daria prejuízo à casa. 

Cascais chegou a ser uma espécie de coqueluche de Portugal, no que ao turismo diz respeito. Acha que algum dia conseguirá recuperar esse brilho ou glamour, destronando a Quinta do Lago, por exemplo? 

O que é a Quinta do Lago? É aquela parte do Algarve parecida com a Quinta da Marinha?

E o autódromo do Estoril algum dia voltará a receber a Fórmula-1? 

Há muito que a Câmara de Cascais insiste em ficar com o autódromo do Estoril. E vamos continuar a insistir. Não faz sentido ter uma infraestrutura daquelas quase ao abandono por teimosia do Estado e dos sucessivos governos. 

Qual a importância para a cidade da comunidade estrangeira que aí vive? É brasileira a maior? 

Segundo fontes oficiais vivem aqui pessoas de 139 diferentes nacionalidades. São mais de 80 diferentes línguas e uma dezena de religiões. E trabalhamos todos os dias para que não haja uma ‘comunidade estrangeira’. Trabalhamos todos os dias para que haja apenas uma comunidade. Composta por todos aqueles que escolheram Cascais para viver. Independentemente do seu país de origem, rendimento ou religião. Da próxima vez que falarem em bons exemplos de diversidade, integração e cosmopolitismo lembrem-se de Cascais. 

Tem havido conflitos entre russos e ucranianos, outras das nacionalidades em peso na região?

Mesmo nos momentos mais conturbados da história, como as guerras mundiais, a vida em Cascais manteve-se tranquila. É o que as pessoas procuram aqui. E não mudou muito.

Sendo praticante de boxe, nunca teve vontade de convidar algum adversário para um ringue? 

Não é preciso. Percebi que na política fazer e deixar obra causa mais KO’s que um upercut.

Por fim, olhando para a Wikipédia, ficamos a saber que começou a trabalhar na empresa de construção do seu pai, quando tinha 12 anos. Ficou com alguma mais-valia desse tempo?  

Fiquei com o gosto de fazer acontecer.