sexta-feira, 17 abr. 2026

Nuno Melo diz que tentou contactar autarca de Leiria após tempestades e critica “pequena política”

Ministro da Defesa criticou a postura do autarca face ao apoio das Forças Armadas durante as tempestades que afetaram Portugal
Nuno Melo diz que tentou contactar autarca de Leiria após tempestades e critica “pequena política”

O ministro da Defesa, Nuno Melo, afirmou esta quinta-feira que tentou contactar o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, assim que chegou a Portugal, a 29 de janeiro, mas não obteve resposta. O governante lamentou ainda que o autarca tenha decidido “apoucar” quem prestou apoio durante as intempéries que afetaram o país.

As declarações foram feitas durante uma audição na Assembleia da República, após uma pergunta do deputado do CDS‑PP João Almeida sobre o contacto com o autarca socialista.

Ministro mostra mensagem enviada ao autarca

Segundo o ministro, que falava durante uma audição na Assembleia da República, quando aterrou em Portugal vindo da Turquia, no dia 29 de janeiro, o primeiro telefonema que fez foi para o presidente da Câmara de Leiria.

“Não me atendeu”, afirmou Nuno Melo, acrescentando que enviou posteriormente uma mensagem através da aplicação WhatsApp, também sem resposta. Durante a audição, o governante mostrou aos deputados um “print” da conversa.

Apesar disso, garantiu que os militares foram mobilizados e enviados para o distrito de Leiria para apoiar as operações no terreno.

Governo diz que algumas ajudas foram recusadas

O ministro afirmou ainda que várias formas de apoio disponibilizadas pelas Forças Armadas foram recusadas pela autarquia, por terem sido consideradas desnecessárias.

Entre os exemplos apontados por Nuno Melo:

  • Nos dias 1 e 2 de fevereiro, a autarquia terá recusado militares para vigiar geradores devido a furtos;

  • A 2 de fevereiro foi recusada a utilização de drones aéreos;

  • No dia seguinte, segundo o governante, foram também rejeitados uma cozinha de campanha e um reforço de mais de 90 militares da Marinha.

Esse contingente acabou por ser distribuído por outros concelhos da região, como Marinha Grande, Pombal, Ourém e Batalha.

De acordo com o ministro, o único pedido formal feito pela autarquia de Leiria às estruturas militares foi o fornecimento de nove camas, que acabaram por ser entregues.

“Nos grandes momentos a pequena política não pode prevalecer”

Durante a audição parlamentar, Nuno Melo criticou o que considera ser uma tentativa de desvalorizar o apoio prestado.

“Que o senhor presidente da Câmara de Leiria se tenha empenhado, também não fez mais do que é suposto. Agora, que para enaltecer o seu próprio esforço, não tenha resistido a apoucar repetidamente alguns daqueles que mais o ajudaram, isso é que não parece bem”, afirmou, citado pela agência Lusa.

O governante acrescentou que “nos grandes momentos a pequena política não pode prevalecer sobre aquilo que é mais relevante”.

Ainda assim, admitiu que a falta de resposta ao contacto telefónico pode ter tido uma explicação, nomeadamente falhas de comunicações provocadas pelas condições meteorológicas.

Tempestades causaram mortos e prejuízos avultados

Desde 28 de janeiro, pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Depressão Kristin, Depressão Leonardo e Depressão Marta.

Os temporais, que afetaram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram também centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes ocorreram durante trabalhos de recuperação e limpeza.

As intempéries causaram ainda a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, além de quedas de árvores, falhas de energia, água e comunicações, cheias e inundações, com prejuízos estimados em vários milhares de milhões de euros.